Manuela em Salvador: “Não brincamos de lançar candidato”

A pré-candidata do PCdoB à presidência da República, Manuela D’Ávila, encerrou em Salvador, nesta segunda-feira (11/06), a caravana que fez pela Bahia, desde o último sábado (09), percorrendo cinco municípios para apresentar aos baianos ideias de enfrentamento à crise no Brasil. Na última atividade, Manuela fez uma palestra e respondeu a perguntas de simpatizantes e estudantes, que lotaram o auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (FDUFBA).

Na ocasião, a pré-candidata explicou que o projeto da candidatura está intimamente associado à luta contra o golpe, que, segundo ela, possui três questões fundamentais que são norteadoras da ação eleitoral comunista, neste momento. Primeiro, ela destacou o combate ao caráter antinacional do processo que retirou a presidenta Dilma Rousseff da presidência, em 2016, como uma demonstração da falta de compromisso que as elites têm com o país e com o povo brasileiro.

“O golpe tem um propósito muito claro: diante da crise do sistema, era necessário que as elites continuassem ganhando; portanto, [por essa lógica] o povo, os trabalhadores, deveriam perder. Por isso que é um projeto antinacional”, disse Manuela D’Ávila, que lembrou também da entrega das estatais. De acordo com ela, o segundo elemento do golpe é que ele representa também um projeto antidemocrático.

No que chamou de ataque à democracia, a pré-candidata  lembrou da prisão do ex-presidente Lula e da negação do presidente Michel Temer ao programa de governo que foi eleito pela chapa, para agradar aos interesses das classes que patrocinaram o golpe. “Subtraem do povo o projeto que o povo escolheu […] Interrompem a candidatura de Lula, que está na frente nas pesquisas”, disse.

Por último, Manuela defendeu que o golpe tem um caráter misógino, de aversão à presença das mulheres nos espaços de decisão. “[Foi um processo] Construído sobre a ideia da incapacidade das mulheres”. Além da crítica ao golpe, a pré-candidatura será, ainda segundo ela, uma voz do povo, que deve ser protagonista na concepção de um novo projeto de desenvolvimento.

“Como enfrentar a elite sem o povo? Defendemos um projeto nacional de desenvolvimento radical: que perceba que mulheres, negros, negras, LGBTs, comunidades indígenas, quilombolas, nós existimos. Não existe projeto de desenvolvimento sem povo. Nós somos povo!”, argumentou Manuela.

Unidade da esquerda

Depois da palestra, a pré-candidata do PCdoB à presidência da República respondeu aos questionamentos dos presentes no evento. Entre as perguntas, estavam temas relacionados a educação, política de drogas, habitação, racismo,  comunicação, políticas regionais para o Nordeste, mas se destacaram questões da atuação da esquerda para enfrentar as forças conservadoras, nas eleições deste ano.

Sobre a unidade da esquerda, Manuela explicou que a candidatura dela se mantém na  disputa no primeiro turno, mas que continua aberta ao debate. “Tentamos fazer todos os gestos para a unidade. Não brincamos de lançar candidato para o partido crescer. O partido é coisa séria, o primeiro e único da minha vida. Ser uma candidata mulher não é pouca coisa. […] O que está a cima de mim é o Brasil e o povo brasileiro. Esse gesto não teve resultado, mas nosso diálogo é permanente”, disse.

Antes do debate na Faculdade de Direito da UFBA, Manuela participou de uma assembleia de trabalhadores  da Ford, no Polo Industrial de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). A caravana na Bahia incluiu, ainda, visitas aos municípios de Itabuna (sul), Vitória da Conquista (sudoeste) e Juazeiro (norte).

 

Veja outras fotos do evento aqui:

https://www.flickr.com/photos/pcdobbahia/with/40931233180/

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