Olivia Santana: É na força de Caó que eu me agarro para pedir justiça

 

A titular da Secretaria do Trabalho, Esporte, Renda e Esporte do Governo do estado (Setre), Olivia Santana, foi homenageada, nesta terça-feira (06/02), em Salvador, em um ato realizado por servidores e parceiros da secretaria. A iniciativa foi uma manifestação de solidariedade a Olivia, que sofreu ataques racistas e fascistas no último sábado (03), durante a confraternização de um projeto apoiado pela Setre, em um hotel da capital.

Na ocasião, a secretária foi alvo de duas mulheres que a chamavam de “comunista” e gritavam que ela deveria voltar para a favela, pois o hotel em que estavam, um dos mais conhecidos de Salvador, não era um lugar adequado para ela. Olívia acionou a Polícia Militar, que encaminhou as duas mulheres para a Central de Flagrantes, onde foi registrada a notícia do crime.

Emocionada, Olivia Santana agradeceu a organização do ato e as manifestações positivas que vem recebendo desde o acontecimento. Participaram do evento, além dos servidores e parceiros da Setre, também outros secretários do Governo do estado e militantes do PCdoB, partido de Olivia e onde ela atua como secretária nacional de Combate ao Racismo.

A secretária também contou detalhes dos ataques e garantiu que essa foi uma das experiências de racismo mais tristes da sua vida. “Esse foi um episódio muito marcante na minha trajetória de vida. Já passei por muitas situações difíceis e sei que vou continuar enfrentando o racismo. Ele sempre vai nos acompanhar. Mas esse episódio foi muito violento. Mais violento do que outras situações”, disse.

Pela violência dos ataques, Olívia garantiu ao público presente no ato que vai levar o caso até as últimas consequências em busca de justiça. Ela lembrou do ex-deputado baiano Carlos Alberto Caó, militante do movimento negro morto no último domingo (05), e autor da Lei 7.437/85, conhecida como Lei Caó, que tornou contravenção penal o preconceito de raça, cor, sexo e estado.

“A luta política nos fortalece, mas isso não significa perder a sensibilidade. É na força de Caó que eu me agarro para pedir justiça. A única coisa que a gente quer é justiça”, afirmou a secretária.

A presidenta nacional da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), Ângela Guimarães, apoiou a decisão de levar o caso adiante e defendeu que é preciso lutar contra a onda reacionária que tem crescido no Brasil, pois o caso de Olivia, segundo ela, não é isolado. “O fascismo e o racismo estão tão a nu que, mesmo diante de agente da Polícia Civil, no interior da delegacia, [elas] continuaram proferindo as agressões. Acham que a impunidade é a regra”.

PCdoB contra o Racismo

Presente no ato, o secretário estadual de Combate ao Racismo do PCdoB, Alex Reis, avaliou como gravíssimos os ataques, que escancararam a face da discriminação racial na cidade. “Duas pessoas se acharam no direito de definir qual o local que Olívia Santana deve estar presente. Isso é a marca do racismo brasileiro, que foi estruturado dessa forma: uma elite minoritária determina onde os negros devem estar”, disse o secretário”.

Apesar de tudo, o caso conseguiu produzir, segundo Alex, uma grande mobilização em solidariedade a Olivia, “na Bahia e no Brasil inteiro”. “Isso serve para mostrar aos racistas que isso não deve prosperar, que nós vamos sempre reagir”, defendeu o secretário do PCdoB-BA.

O presidente municipal do PCdoB em Salvador, Everaldo Augusto, também presente na atividade, disse que o partido exige uma punição exemplar para as agressoras. “É um ataque a todo o povo negro, às negras, aos pobres, a todos que são forçados a morar nas favelas, ao povo brasileiro. Por isso mesmo é que não pode ficar impune. Somente com justiça avançaremos na construção de uma democracia real”.

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