Sessão da Assembleia Legislativa da Bahia presta solidariedade a Lula

 

A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) realizou, nesta sexta-feira (13/04), uma sessão especial em solidariedade ao ex-presidente Lula, preso desde o último sábado em Curitiba (PR). Lotado, o evento reuniu, no auditório da Casa, além dos apoiadores de Lula, também lideranças políticas de diferentes partidos e dos movimentos social e sindical com atuação no estado.

A proposta da sessão especial foi do presidente da Assembleia, deputado Ângelo Coronel (PSD), que justificou a realização do ato como uma vontade do povo da Bahia. “Essa Casa, que é a representação da vontade política da população, expressa o desejo legítimo de baianos e baianas. Não se configura exagero dizer que a Bahia está majoritariamente com o ex-presidente, muito menos afirmar que Lula sempre esteve com a Bahia, em seus dois mandatos de comandante da nação”, disse.

Essa é a primeira vez que um órgão público se manifesta oficialmente em repúdio à prisão e em apoio a Lula, segundo levantamento feito pelo presidente Ângelo Coronel. Durante a sessão, ele defendeu a importância da iniciativa pioneira como um modo de incentivar outros órgãos, e disse esperar que ela se espalhe por todo o Brasil, para que outras entidades, dos três poderes, também declarem solidariedade.

O governador Rui Costa também participou da sessão e reforçou as críticas à prisão de Lula, que, para ele, possui elementos que escancaram a luta de classes no Brasil. Para ele, todo o processo criminal contra o ex-presidente faz parte de uma estratégia montada pela ‘elite perversa’ país, que ainda é inconformada com os projetos de inclusão social defendidos pela esquerda, em especial os implantados, primeiro, no governo Lula, e continuados pela presidenta Dilma Rousseff.

“O Lula nunca foi um radical. Nos dois mandatos, foi um conciliador, buscando unir o Brasil. [..] Todos ganharam, e a gente se pergunta: por que tanto ódio ao Lula? O ódio vem não porque o Lula prejudicou a eles. Não prejudicou. Muito pelo contrário. O ódio vem do que chamo de herança escravocrata. É a intolerância que eles têm com o filho de uma empregada doméstica estudar na mesma sala de aula dos seus filhos”, argumentou Rui.

Estado de exceção

A sessão serviu, também, para um debate sobre o cenário político do Brasil, para além do caso Lula. Presente no ato, o ex-governador Jaques Wagner defendeu que o país está voltando a viver em um estado de exceção, e comparou episódios da atualidade com os que aconteceram no período vivido por ele na ditadura civil-militar (1964-1985).

Na avaliação de Wagner, o cenário hoje é pior do que em 1964. “Me arrisco a dizer que vivemos num autoritarismo mais violento do que aquele que a gente viveu, e que a minha juventude resistiu, em 1964. A diferença é que, naquele tempo, tínhamos tortura e morte, mas o golpe civil-militar de 64 teve a coragem de colocar a cara […] Tínhamos o estado de exceção pleno. Hoje, temos um estado de exceção hipócrita, cínico e covarde”, disse.

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