Waldenir Britto: Não ao enfraquecimento do BNB

A sociedade nordestina ficou espantada com a notícia de que, na contramão da necessidade da região, a diretoria do BNB  – Banco do Nordeste do Brasil -,  o principal banco de desenvolvimento da região Nordeste, anunciou o fechamento de  19 agências bancárias, a maioria  recém-inauguradas.  E já se comentam outras medidas que visam a enfraquecer ainda mais o BNB.

O espanto é não só pela tentativa de justificar tamanho absurdo afirmando que o fechamento das unidades era para “(…)acima de tudo, atender aos anseios da sociedade”, mas também pelo rompimento do crescimento que vinha tendo o BNB nesses últimos anos na busca de cumprir com seu papel regional. Fica clara a percepção de que a atitude foi para atender à política neoliberal do atual (des)governo federal, que segue a mesma política dos ataques já sofridos pelo BB e a CEF, além de outras empresas públicas.  Ao contrário do que a diretoria do BNB tenta envergonhadamente passar, o fechamento de agências enfraquece a região nordeste e piora as condições de atendimento dos mini, pequenos e médios empresários, principalmente.

O BNB, para atender às crescentes demandas regionais (que não envolve somente o nordeste, mas também o norte do Espirito Santo e de Minas Gerais), vinha se superando a cada ano. Esse esforço  para recuperar e fortalecer o BNB e consequentemente a região se esvai com o fechamento de unidades. O BNB em 2006 tinha 180 agências, aplicava perto de R$ 7,3 bilhões e contava com 5.161 funcionários/as. Já em 2015 contava com 303 unidades, aplicava R$ 24,1 bilhões, com 7.231 trabalhadores/as.

Se houve um incremento de 40,1% do número de funcionários, de 68,3% do número de agências, houve um aumento de 231% das aplicações na região, notadamente entre os mini, pequenos e médios produtores e na região semiárida, números que mostram o elevado compromisso dos bnbeanos com o desenvolvimento regional, pois nas unidades trabalham no sacrifício da extrapolação da jornada de trabalho, com muito dos sistemas operacionais defasados e inadequados. Ao invés de propor fechamento de unidades, a diretoria deveria estar a resolver esse grave problema dos sistemas operacionais, que prejudicam sensivelmente a presteza no atendimento no BNB.

O Nordeste precisa é de mais recursos, mais ações, mais desenvolvimento e tais questões não serão resolvidas com o enfraquecimento de seu principal órgão financiador federal, o BNB. É necessário que a sociedade brasileira e nordestina, seus empresários dos variados setores, seus representantes políticos verdadeiramente comprometidos com a região se juntem às associações dos funcionários e suas entidades sindicais para lutar pelo fortalecimento do BNB e do Nordeste.

A hora é de defender o BNB; Defender  o Nordeste; Defender o Brasil!

Gestão ‘Unidade e Luta’

A AFBNB firme com resistência e autonomia.

 

Waldenir Britto é diretor da Associação dos Funcionários do BNB, da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e do Sindicato dos Bancários de Juazeiro

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