A Festa do Avante e os valores da Liberdade

Foi ao fim de quarenta e oito anos de ditadura, como um grito de alívio, que nasceu a Festa do Avante. O maior festival progressista de Portugal e um dos maiores do mundo reuniu nos dias 6, 7 e 8 de setembro partidos de esquerda dos quatro cantos do globo, nas proximidades de Lisboa, Portugal, para debater os atuais problemas que o capitalismo tem causado, prestar solidariedade às nações sob ameaças democráticas e ainda festejar a força da unidade de esquerda.

O festival que reúne centenas de milhares de pessoas todos os anos é organizado pelo Avante!, órgão editado  pelo Partido Comunista Português (PCP). A deputada do PCP na Assembleia da República, Rita Rato, e Sandra Pereira, deputada do PCP no Parlamento Europeu, contaram com exclusividade ao Jornalistas Livres um pouco do que é a Festa do Avante e como surgiu o festival revolucionário, que já teve mais de 40 edições.

Na Festa do Avante, o Brasil foi representado pelas tendas do PT e do PCdoB. A barraca do Partido dos Trabalhadores do Brasil teve como objetivo o fortalecimento da internacionalização da campanha Lula Livre. Foram coletadas 1147 assinaturas de pedidos de liberdade do líder popular. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também esteve no stand apresentando os produtos produzidos pelos trabalhadores no campo, livros que contam a história do movimento no Brasil e mostram a luta diária dessa classe camponesa. Dos camponeses. Além das intervenções políticas, a barraca do PCdoB também abrigou um restaurante com comidas típicas, onde os brasileiros emigrantes puderam se sentir mais perto de casa.

A campanha Lula Livre, contudo, não se limitou às tendas brasileiras. Além das camisetas, bonés, adesivos e bottons facilmente (encontrado) encontrados em diferentes áreas do festival, a solidariedade ao ex-presidente Lula também esteve na fala de lideranças políticas de diferentes países e momentos distintos.

No Ato de Solidariedade ao Brasil, realizado na tarde do domingo, toda as atenções estiveram voltadas para os problemas e possíveis soluções propostas para o país, apresentadas por Walter Sorrentino, do PCdoB; Zeca Dirceu, do PT; Igor Felipe, do MST. Sorrentino, o primeiro a ter a voz no ato, agradeceu à festa do Avante por sair em defesa do Brasil, que, como ele descreve, vive um processo de desmanche nacional de sua soberania, da constituição, da democracia e de direitos alcançados nas últimas décadas.

O Deputado Federal Zeca Dirceu descreveu a situação atual do Brasil como uma das difíceis já enfrentadas, já que além do desmanche nacional, tem a o autoritarismo, desrespeito e o ódio como marcas. O parlamentar relembrou e citou os números que mostram todo o progresso que as últimas décadas alcançaram até o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, subiu ao palco de encerramento do festival Avante para lembrar do dever do partido de continuar lutando pelo desenvolvimento de Portugal e para continuar avançando com os direitos dos trabalhadores. A multidão que assistiu o discurso de encerramento participou ativamente, cantando, aplaudindo e balançando as bandeiras vermelhas. O engajamento do público mostra o apoio que a esquerda mantém em Portugal, desde a revolução de 25 de Abril de 1974, a primeira edição da Festa do Avante aconteceu em 1976, na Feira Internacional de Lisboa.

Portugal de hoje é governado por uma histórica aliança entre as esquerdas. O Partido Socialista (PS) governa o país com uma aliança parlamentar com o Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda (BE) e os ecologistas, “Os Verdes”.

Fonte: Jornalistas Livres

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