Adelmo Andrade: O assédio moral em alta escala nos bancos

O mundo vem passando por sérias dificuldades para conter o avanço do coronavírus e de uma pandemia altamente agressiva e letal. No Brasil, o governo federal vai na contramão e desafia a situação e colocando o país em um caos total. O presidente Bolsonaro e sua equipe não demonstram nenhuma preocupação com o cenário e o pânico dos brasileiros que perdem entes queridos.

Quem não pode reclamar são os banqueiros que sempre nas crises arrecadam altas cifras. Só no primeiro trimestre deste ano, os cinco maiores bancos lucraram R$ 18 bilhões, demonstrando que o setor segue pleno durante a pandemia. Aliás, ainda tem ajuda da União na ordem de um trilhão.

Enquanto isso, nos últimos 12 meses as organizações financeiras fecharam quase 12 mil postos de trabalhos e cerca de 300 agências. Com menos funcionários e unidades, aumentam a carga de trabalho e o adoecimento na categoria.

Como se não bastasse a pressão psicológica decorrente da pandemia, os bancários ainda têm de conviver com a cobrança desumana de metas. O assédio moral fica cada vez mais flagrante. Até os funcionários em quarentena são assediados pelos gestores e obrigados a bater metas e mostrar através de fotos ou vídeos a produção. Uma situação constrangedora.

Os bancos batem recordes de lucratividade, graças ao suor e a dedicação dos bancários. Em contrapartida, não oferecem condições e nem segurança no local de trabalho. A contaminação pela Covid-19 na categoria cresce a cada dia e as empresas sequer fazem a testagem dos funcionários. A falta dos EPIs e ações de segurança são outras dificuldades.

Vale ressaltar a bravura dos empregados da Caixa, na linha de frente do atendimento ao público, em situação de risco devido as aglomerações decorrentes do pagamento dos benefícios socais.

O sentimento dos bancários é de temor pelo país, sobretudo diante de um governo inoperante e irresponsável. O nível de desemprego só aumenta e a população cada vez mais pobre é excluída, enquanto banqueiros gananciosos são beneficiados e sugam toda a sociedade.

Adelmo Andrade é diretor de Comunicação do Sindicato dos Bancários da Bahia

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