Alberto Villas: O Tucano – Pequena fábula de uma ave bem brasileira

Quando eu era criança, o nosso vizinho do lado tinha um tucano de verdade. Ele vivia solto no quintal, pulando de galho em galho das árvores frutíferas. A laranjeira, a mangueira, a goiabeira e uma ameixeira. De vez em quando, ele ia pro telhado e ficava espiando, do nosso lado, as galinhas procurando minhocas, os pombos catando palha pra fazer seus ninhos, os coelhos fazendo buracos na terra vermelha.

Toda ave tem um nome de família complicado, difícil de falar. A família do tucano á a Ramphastidae, mas poucas pessoas sabem, só mesmo os biólogos mais estudiosos. O que todo mundo sabe é que o tucano é bem brasileiro, tem um bico enorme que parece forte, mas é frágil, e muitas vezes caem em contradição.

Os tucanos vivem nas florestas da América Central, mas, principalmente nas florestas da América do Sul. São vistos também em Brasília, duas ou três vezes por semana, aqueles com uma plumagem cinza ou preta. No Brasil, existem em maior quantidade no Estado de São Paulo, desde que ocuparam o território, no dia primeiro de janeiro de 1995.

Eles se alimentam de frutas, são chegados nas menores, tipo pitanga, jabuticaba, seriguela, essas frutinhas. São conhecidos também por roubar ovos nos ninhos de outras aves, mas nunca são punidos por isso.

Os tucanos não são machistas, ajudam a fêmea a construir seus ninhos, a chocar os ovos e ajudam também a mamãe tucana a alimentar os filhotes. Voam meio desconjuntados e só alcançam voo pleno quando estão em helicópteros nos céus de Minas Gerais.

Tucanos adoram uma árvore grande e frondosa, passam o dia por lá, mas gostam também de um muro, principalmente no planalto central do país, onde, no cerrado, as árvores não são tão frondosas assim.

Em mil novecentos e sessenta e pouco, o tucano virou pop star na televisão brasileira, ao topar ser garoto propaganda da Varig, a maior companhia aérea nacional na época. A cada anúncio novo que aparecia na telinha, minha mãe me chamava: “Corre, vem ver o tucano da Varig!”

Eu corria pra frente da televisão e me lembro bem do tucano carioca passeando pelas praias de Copacabana, o tucano mineiro sobrevoando o Mineirão, o tucano cearense navegando numa jangada e o tucano gaúcho tomando chimarrão.

O meu pai, toda vez que via o tucano do nosso vizinho do lado, em cima do muro, ele dizia que tucano é bom de bico. Ele tinha razão. Nunca aquele tucano foi preso por roubar as ameixas e as goiabas no nosso quintal. Sempre viveu leve e solto.

Os tucanos medem aproximadamente 60 centímetros e pesam por volta de 620 gramas. Claro que tem algumas espécies que são maiores, chegam a 1 metro e 90 e pesam, às vezes, mais de 90 quilos.

Existem várias espécies de tucanos. O tucanuçu, o tucano-grande-de-papo-branco, o tucano-de-bico preto, o tucano-de-bico-verde, entre outros.

Recentemente descobriram três novas espécies: O tucano-da-mala, tucano-cocae e o tucano-propinae. Esses são os mais espertos da espécie e dificilmente são pegos, dificilmente irão um dia pro cativeiro.

Não é comum ver tucanos voando nas metrópoles.  Nas grandes cidades, costumam passar dias e dias em cima do muro. Essa espécie urbana é o tucano-amarelo-e-azul. Em São Paulo, costumam ser vistos no Parque Buenos Aires, no bairro de Higienópolis. Costumam sair de lá apenas em dias de eleição.

São tucanos que geralmente vivem numa boa, passeando por aqui na sua garoa. Mas desde o dia 28 de outubro, eles desapareceram da mídia, quase do mapa. Pelo que estou percebendo, estão correndo sério risco de extinção. Quem viver verá.

 

Alberto Villas é jornalistas e escritor

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