Altamiro Borges: Petardos: Os generais servis e o “capetão”

Matéria do Estadão ajuda a entender a postura pusilânime e servil dos generais diante das maluquices do “capetão”. Em seu primeiro ano de gestão, Bolsonaro ampliou gastos com milicos e cortou investimentos na educação, saúde e segurança. As distorções no orçamento são gritantes

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Segundo o Estadão, resultado final das contas do laranjal mostra um aumento real (acima da inflação) de 22,1% das despesas da Defesa em relação a 2018 – incremento de R$ 4,2 bilhões. Na direção oposta, grana da Educação caiu 16%; Saúde teve queda de 4,3%; e Segurança minguou 4,1%

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O jornalão informa que, no final do ano, o governo já tinha dado prioridade ao aporte de R$ 7,6 bilhões à Emgepron, estatal da Marinha que fabrica corvetas. “A capitalização inflou os gastos com a Defesa, embora tenha ficado fora do teto de gastos, regra prevista na Constituição”

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Já no Orçamento de 2020, o “capetão” voltou a agradar os milicos e optou por blindar as despesas ligadas ao Ministério da Defesa. Não haverá bloqueio de recursos em função das metas fiscais. “No ano passado, os sucessivos bloqueios ameaçaram paralisar a administração pública”

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A crise econômica prolongada – apesar da torcida da mídia rentista – e o desemprego recorde têm elevado o número de trabalhadores domésticos no país. O trimestre encerrado em novembro passado registrou que 6,356 milhões de brasileiros encontram seu sustento no serviço doméstico

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A maior parte dos trabalhadores domésticos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), atua na informalidade – sem registro em carteira e direitos trabalhistas. São 4,598 milhões de empregados domésticos que sobrevivem na mais pura escravidão

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O Globo informa que “pela primeira vez em sete anos, país registrou alta de mortos nas rodovias federais. Em 2019, o crescimento foi de 1,2% frente ao ano anterior, para 5.332 casos, e interrompeu tendência de quedas sucessivas observadas entre 2012/18”. O “capetão” é o culpado!

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As estatísticas mostram que, em 2019, os acidentes graves, aqueles com vítimas, também subiram. Os registros passaram de 53.963, em 2018, para 55.756 no ano passado. As vias federais tiveram 79.051 feridos, 2.526 a mais na comparação com o ano anterior

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Como registra O Globo, “Bolsonaro reduziu a fiscalização de velocidade nas vias federais, sob o argumento de que há uma ‘indústria da multa’ no país. Contratos que garantiam o funcionamento de 2.811 radares fixos não foram renovados por decisão do presidente” desde março de 2019

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Para Rodolfo Rizzotto, da SOS Estradas, a inversão da tendência de queda de acidentes se deve ao afrouxamento da fiscalização. A média de mortos passou de 398 em janeiro para 496 em dezembro; “O presidente ironizou os especialistas. Estão aí os dados sobre acidentes para provar”

 

Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

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