Álvaro Gomes: Desigualdade social e sofrimento mental

Observamos atualmente um aumento considerável das desigualdades sociais com reflexos sobre a saúde da população. Vários estudos apontam que as condições de vida e trabalho das pessoas contribuem para aumentar ou diminuir o sofrimento mental.

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, a renda do trabalho de 50 % dos mais pobres caiu 17,1%, enquanto a dos 1% mais ricos, subiu 10,11%, de 2014 a 2019. Isso também se reflete no índice Gini que mede as desigualdades e varia de 0 a 1, onde mais próximo de zero significa maior igualdade e mais próximo de 1 maior desigualdade. No Brasil, de 2015 a 2019, o índice subiu de 0,6017 para 0,6257.

Aliado aos dados econômicos que comprovam o aumento da pobreza e das desigualdades sociais,  um estudo do FGV Social, https://cps.fgv.br/felicidade, a partir de micro dados do Gallup World Poll, concluiu que as pessoas ficaram menos felizes no Brasil, que sofreu a terceira maior queda de satisfação da população, entre 130 países de 2014 a 2018, onde, em uma escala de 1 a 10,  a nota média do país caiu de 7,05 para 6,2.

Diante do agravamento da crise, com a redução dos direitos sociais e o consequente aumento das desigualdades, aumenta o mal-estar da população e o sofrimento mental. Pelo levantamento da ONG Meu Sonho Não Tem Fim, através do censo de 2010 do IBGE, existia no Brasil 2.409.419 pessoas com problemas mentais permanentes, 1,49% do total de 161.981.299 brasileiros maiores de 10 anos, sendo 82,32% pobres.

Os pobres e desempregados sofrem mais as consequenciais, se constituindo nas maiores vítimas, em função da própria condição social e da falta de suporte do Estado. Diante do quadro nacional que tem se agravado, através das diversas medidas do atual governo federal, a exemplo da reforma da Previdência e a extinção de vários direitos dos trabalhadores e que tem levado milhões de pessoais ao desemprego e a péssimas condições de trabalho, a tendência é aumentar ainda mais o sofrimento mental e o mal estar da população.

Cabe a todos os setores que defendem a dignidade humana, lutar em defesa da democracia e dos direitos fundamentais de cada cidadã e cidadão para consequentemente diminuir o sofrimento das pessoas.

 

Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ 

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