Álvaro Gomes: Massacre em Suzano

Nos Estados Unidos, só nas escolas, foram 94 incidentes de tiroteio em 2018. No Brasil, este tipo de crime também começa a preocupar a sociedade. Foram dois episódios de grande repercussão nos últimos anos: o da Escola Municipal Tasso Silveira, em Realengo (RJ), em abril de 2011, que deixou 12 mortos. E o mais recente, no município de Suzano (SP), ocorrido em 13 de março, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, com 10 mortos. Nos dois casos os assassinos se suicidaram.

Diante desse fenômeno são muitas questões colocadas e exige de todos uma reflexão para identificar o que de fato está acontecendo e quais as medidas a serem implementadas para que possamos viver em paz. É preciso ter um olhar mais minucioso para enxergar as causas e não simplesmente combater os efeitos. Liberar geral armas para a população seria a solução? Armar os professores e funcionários nas escolas resolveria o problema? Na minha opinião, não, agravaria.

Em um momento de muita dor pela perda do filho Kaio Lucas, morto no massacre de Suzano, o pai Reinaldo Limeira foi muito enfático ao dizer: “Eu peço, encarecidamente, não usem a morte do meu filho para alimentarem o ódio” e mais adiante sobre o questionamento se perdoaria o assassino respondeu  “como eu vou dizer que eu não perdoo uma criança de 17 anos? Quantas crianças estão hoje dentro de casa, expostas aos mais variados tipos de ódio, que vêem em redes sociais, essa polarização absurda que a gente vê no nosso país, onde paz não existe dentro de casa, não existe nas ruas, não existe na sociedade”.

Sobre qual o conselho que daria aos pais para que o ódio não radicalize, respondeu aos jornalistas:  “Eu enterrei meu filho ontem, o que eu posso dizer é mais amor, mais amor”  e se a questão está na família, enfatizou:  “A solução começa na família, mas se as famílias também não tiverem suporte para fazer isso, como é que a gente vai fazer, não tem o que a gente fazer nesse caso”.

Concordo com Reinaldo que pede a não utilização da morte do filho no episódio delicado e traumático que ocorreu na cidade de Suzano, para alimentar o ódio e a violência. É preciso identificar os reais problemas atacando a raiz e não os efeitos. A justiça social, a redução das desigualdades sociais contribuirão imensamente para a construção de uma sociedade saudável e de paz.

 

Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ (Instituto de Estudos e Ação Pela Paz com Justiça Social)

Textos Relacionados
Deixe seu recado