Álvaro Gomes: Paraisópolis e a morte de jovens em baile

Mais uma triste notícia para a sociedade, nove jovens entre 13 e 22 anos foram mortos numa ação policial no bairro de Paraisópolis, em São Paulo. Os vídeos gravados mostram o espancamento de adolescentes que estavam se divertindo numa festa funk.

A alegação da policia noticiado na grande mídia, foi de que dois homens viajando em uma motocicleta teriam atirado em policiais que realizavam operação na região e que os agentes teriam perseguido os dois até o baile onde estavam cerca de cinco mil pessoas.

Segundo informações da UOL em 01/12/19, a mãe do jovem Denys Henrique Quirino da Silva de 16 anos, Maria Cristina, após reconhecer o corpo do filho no IML – Instituto Medico Legal, afirmou “ tenho certeza de que ele foi assassinado. Meu filho não foi pisoteado. O rosto dele está intacto. Foi a primeira vez que ele foi a esse baile. Foi a viagem para a morte”.

Foram mais 09 mortes de adolescentes que se somam a cerca de 60 mil assassinatos ao ano e que atinge principalmente os jovens, pobres, negros e vulneráveis e que deveriam ter a segurança e o suporte do estado, mas ao contrario são submetidos a um verdadeiro extermínio.

Paraisopolis é a 2ª maior favela de São Paulo e possui 100 mil habitantes sendo que 31% da população é composta de jovens entre 15 a 29 anos e 12 mil moradores são analfabetos ou semi analfabetos, segundo o site g1.globo.com. Possui uma população pobre e vulnerável, onde lhes falta condições dignas de sobrevivência e oportunidades.

O governador de São Paulo, João Doria, ao comentar o ocorrido, segundo o  g1.globo.com,  afirmou que “a política de segurança pública do estado de São Paulo não vai mudar”, ou seja continuará visando as populações carentes provocando mortes inclusive atingindo muitos inocentes.

A situação se agrava no momento que o governo federal busca criminalizar os movimentos sociais e mais uma vez insiste na ampliação da “legítima defesa” que na prática significa licença concedida aos agentes de segurança para matar sem receber punição pelo assassinato, é o chamado excludente de ilicitude.

A sociedade brasileira hoje vive um dilema, ou se une em defesa da democracia e dos direitos humanos ou viveremos a barbárie e o avanço do fascismo.

 

Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ

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