Bolsonaro presta desserviço à luta das mulheres, diz presidenta da UBM

 

O candidato à presidência Jair Bolsonaro é amplamente conhecido pelos seus ataques às mulheres com declarações e posições políticas que beiram à misoginia. Em resposta às ameaças de Bolsonaro e para frear seu avanço na eleição de 2018, mais de 1 milhão de mulheres se reúnem nas redes sociais. Para Vanja Santos, presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM), ter alguém como Bolsonaro disputando as eleições é desumano.

Em apenas quatro dias o grupo “Mulheres contra Bolsonaro” atingiu mais de 1 milhão de participantes com o intuito de barrar a candidatura do então deputado Jair Bolsonaro (PSL) à presidência. O grupo é fechado – entra quem é convidada ou aceita pelas administradoras – e reúne mulheres de todo país que não votarão no candidato de extrema-direita. Caso Bolsonaro avance para o segundo turno, as mulheres irão optar pelo adversário do candidato, qualquer que seja, para não eleger o ex-militar.

Hoje, as mulheres representam 52,5% dos eleitores no Brasil. Segundo pesquisa Datafolha desta segunda (10), 49% das mulheres disseram que não votariam no deputado “de jeito nenhum”. Em agosto, o índice de negação era de 43%. O levantamento foi realizado 4 dias após Bolsonaro levar uma facada em Minas Gerais na quinta (06).

Se a pesquisa apontou uma tendência no aumento da rejeição ao candidato por parte das mulheres, após a mobilização nas redes sociais, esse percentual deve crescer ainda mais.

O discurso agressivo de Bolsonaro contra as mulheres já é conhecido entre os eleitores. Em 2014, o deputado ofendeu a parlamentar Maria do Rosário ao dizer que ela não merecia ser estuprada por ser ‘muito feia’. Ele foi condenado pela Justiça e obrigado a indenizar a deputada.

Em entrevistas recentes, o candidato também já declarou que, caso eleito, o governo não irá implementar políticas para garantir a igualdade de salário entre homens e mulheres.

Bolsonaro chegou inclusive a dizer em 2016 que “não empregaria [mulheres e homens] com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente”, falou em entrevista à apresentadora Luciana Gimenez, na RedeTV!. Ele também chegou a chamar Dilma Rousseff de homossexual: “se teu negócio é amor com homossexual, assuma”.

Para a presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM), Vanja Santos, o ex-militar presta um desserviço à sociedade e à luta das mulheres.

“Ter alguém como o Bolsonaro disputando as eleições é desumano porque ele patrocina e favorece pessoas que já são adoecidas na sociedade. É terrível ter que ouvir uma pessoa tão reacionária na televisão, provocando suas ideias machistas, misóginas, homofóbicas em um momento de perda de direitos”, disse Vanja em entrevista ao Portal Vermelho.

Atos pelo país

Com o rápido crescimento do grupo, as mulheres organizaram também eventos presenciais em diversos estados, como o “Mulheres contra Bolsonaro” em São Paulo. O ato deve acontecer no dia 29 de agosto, às 17h, no Largo da Batata, em Pinheiros, São Paulo. Até agora, mais de 36 mil mulheres confirmaram presença e 137 mil pretendem participar.

No Rio de Janeiro, o ato acontecerá no mesmo dia na Cinelândia. Já em Alagoas, o ato será na Praça Centenário Maceió e no Tocantins, no Parque Dos Povos Indígenas.

 

Do Portal Vermelho

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