Chimamanda: “Precisamos de homens feministas para mudar outros homens”

Em entrevista exclusiva para a revista Marie Claire, a escritora nigeriana e ícone pop Chimamanda Ngozi Adichie defendeu que os homens podem ser, sim, feministas. Ela é protagonista de dois TEDs com mais de 20 milhões de views, virou música da Beyoncé e tema de coleção da Dior. Trajetória para lá de incomum para uma escritora de ficção que jamais pensou em ser ícone feminista.

A nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, de 41 anos, autora de seis livros e mãe de uma menininha de 3, falou com a revista brasileira também sobre liberdade, gênero, racismo e amor. Alguns trechos da entrevista:

“Temos que parar de pensar no feminismo como uma espécie de festinha exclusiva para a qual poucas pessoas são convidadas. Nosso objetivo é a igualdade no mundo. Queremos chegar a um ponto em que não vamos mais precisar do feminismo. Para isso acontecer, todo mundo tem que se envolver. Portanto, precisamos de homens feministas para mudar outros homens”, garante Chimamanda.

“Em Lagos, uma cidade cosmopolita, acontece de um homem e uma mulher entrarem num restaurante, e o garçom ou o segurança dizerem: ‘Boa tarde, senhor’, ignorando a mulher. Então, costumo falar aos homens que eles precisam dizer: ‘Isso é inaceitável. Entrei aqui com outro ser humano que é meu igual. E você precisa reconhecer a presença de nós dois’”, diz ela.

Mas qual homem Chimamanda já viu tomar atitude semelhante? “Meu marido”, responde, rindo. “A não ser que sejam cooptados para o feminismo, os homens não vão participar de livre e espontânea vontade. Meu marido o faz porque falei com ele sobre isso. Até então, nem ele percebia.”

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