Davidson Magalhães: O projeto Bolsonaro é pior do que o neoliberalismo

O presidente do PCdoB na Bahia, Davidson Magalhães, que também é economista e professor, foi entrevistado com exclusividade pelo jornal O Bancário, do Sindicato dos Bancários da Bahia, sobre a delicada realidade brasileira. Ex-vereador e deputado federal pelo PCdoB, hoje secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Davidson Magalhães defendeu que Bolsonaro representa um projeto político pior do que o neoliberalismo.

Na entrevista, Davidson ainda falou sobre as eleições de 2018, manifestou indignação com o nível de promiscuidade nas relações entre procuradores federais e juízes, reveladas no escândalo da Lava Jato, e pontou caminhos para a luta contra Bolsonaro.  Confira:

O Bancário – O ocaso de Bolsonaro significa a superação ao projeto neoliberal?

DM – O projeto de Bolsonaro não é neoliberal, é pior do que isso. É um projeto de extrema direita, de cerceamento das liberdades democráticas, do desmonte completo das políticas públicas, inclusive aquelas compensatórias que existiam no modelo neoliberal. Portanto, do ponto de vista político é ultraliberal, um desmonte completo. Um governo despreparado, desastrado, desqualificado, completamente reacionário, com costumes obscuros, anticivilizatórios, antidemocrático e entreguista.

JB – Este é o momento do Fora Bolsonaro?

DM – É o momento de preparar o povo brasileiro para desmontar as políticas de Bolsonaro. Isolá-lo politicamente e crescer a mobilização popular. O que devemos fazer é a mobilização contra sua agenda e contra sua tentativa de mudar o regime democrático no Brasil para um regime autoritário. Este é o centro da luta. Se acumularmos força suficiente para substituí-lo é o melhor dos rumos.

JB – As crescentes manifestações em defesa da educação e da Previdência pública podem ajudar a tirar a oposição do imobilismo?

DM – O termo imobilismo não cabe. Primeiro porque a eleição foi muito parelha, perdemos, mas tivemos uma grande votação. O centro e a esquerda conseguiram fazer, na reta final, um grande movimento. E só não foi maior por conta da ingerência da turma da toga, especialmente da Lava-Jato no processo eleitoral e da grande mídia. Fora a compra de fake news, robôs e a interferência do capital ilegal no processo eleitoral. A oposição não está nas cordas e o momento ajuda muito na retomada da mobilização ampla contra o governo.

JB – Qual o objetivo principal hoje da oposição, da resistência democrática?

DM – Derrotar o neofascismo. Temos um conjunto de batalhas, da reforma da Previdência, manutenção das universidades públicas gratuitas e de qualidade. Mas, o centro da batalha é garantir a ampliação de todos os setores que, mesmo não sendo de esquerda, de centro-esquerda, se preocupam com a vida do povo brasileiro, com o futuro do país, com a educação. Todos aqueles que se preocupam com o Brasil, com a democracia, devem se unir na luta contra esse governo neofascista.

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