Drauzio: Com desigualdade, coronavírus pode provocar tragédia nacional

O médico e comunicador Drauzio Varela prevê que o coronavírus pode provocar uma tragédia no Brasil. Ele associa isso à principal peculiaridade brasileira, que é “a imensa desigualdade social, que impõe condições de vidas muito distintas para ricos e pobres, limitando o acesso de grande parte da população às práticas que previnem o contágio, como lavar as mãos, comprar álcool gel e praticar o isolamento social”.

Varella adverte que há no país 35 milhões de brasileiros sem acesso à rede de água potável, segundo dados do Instituto Data Brasil de 2017. Em 2018, antes da crise do coronavírus, chegou a 13,5 milhões o número de brasileiros vivendo abaixo da linha da extrema pobreza, com menos de R$ 145 por mês.

O médico prevê que o Brasil terá um número muito grande de mortes, um impacto na economia enorme, uma duração prolongada.

“Agora é que nós vamos pagar o preço por essa desigualdade social com a qual nós convivemos por décadas e décadas, aceitando como uma coisa praticamente natural. Agora vem a conta a pagar. Porque é a primeira vez que nós vamos ter a epidemia se disseminando em larga escala em um país de dimensões continentais e com tanta desigualdade”, diz, em entrevista à BBC News Brasil, concedida por meio de teleconferência.

Drauzio Varella Ferrenho defende o isolamento social, uma das únicas medidas comprovadamente eficazes contra o vírus (além da higiene frequente das mãos, por exemplo). Ele alerta para as possíveis consequências terríveis para os pacientes graves que, por falta de infraestrutura, eventualmente ficarem sem atendimento em meio a problemas respiratórios progressivos.

“Não é que você volta para casa, sofre um pouco e passa. Não, falta de ar é o pior sintoma que existe. Porque se você tem dor, toma analgésico, você tem tosse, tem jeito de bloquear. Agora ter falta de ar é uma morte horrível. Horrível.”

Varella é também um defensor do SUS e crítico da gestão. “O SUS, na verdade, é um sistema perfeito. O problema qual foi, desde sempre? A falta de recursos”, finalizou.

 

Com Brasil 247

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