Haroldo Lima: o descaso do governo Bolsonaro com a proteção da Amazônia

Os incêndios da Amazônia, incentivados pela verborreia do Bolsonaro e pelo desmantelamento da proteção ambiental que ele promoveu, despertaram protestos no mundo. O Presidente francês falou em um estatuto internacional para a Amazônia, o que suscitou discussão sobre a soberania brasileira na parte amazônica do nosso país.

Esse problema é antigo. Em 2001, circulou entre nós, página de um livro escolar americano onde a Amazônia estava em um mapa como reserva internacional. A existência da página foi negada, mas ela pode ser vista ainda hoje na internet. Em 1983, a primeira ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher, afirmou que se os países subdesenvolvidos têm dificuldades de pagar suas dívidas, deveriam vender suas riquezas. Mitterrand, Presidente francês, disse que o Brasil precisaria compartilhar com outros países a soberania sobre a Amazônia. E Al Gore, ex-candidato a presidente dos Estados Unidos, opinou que a Amazônia pertence ao mundo inteiro. Ante esses apetites imperialistas, cabe nos fortalecer nossa inegociável soberania na área, nossa presença civil e militar.

A região requer desenvolvimento com sustentabilidade, produção crescente e preservação. Isto requer mobilização dos cientistas locais e dos povos da floresta, pesquisa e inovação para que se desenvolvam tecnologias que prescindem das queimadas. Nossa soberania não nos dá direito a queimar a floresta. Ademais, é preciso saber de onde vem a ameaça principal a nossa soberania naquela área.

O país que mais desrespeitou a soberania dos países latino-americanos desde o fim do século XVIII até hoje, foi, de longe, os Estados Unidos. A Universidade de Harvard, em 2005, divulgou estudos sobre intervenções dos Estados Unidos da América Latina. Foram 41 intervenções diretas de 1898 a 1994. Uma a cada dois anos. Houve ainda 27 intervenções indiretas através de forças locais, como o golpe no Chile, em 1973, que matou Allende ou o golpe no Brasil, em 1964, que derrubou Goulart. Precisamos nos acautelar com as manobras americanas para minar nossa soberania na Amazônia.

Lula, em recente entrevista à BBC, perguntado se via risco à nossa soberania na Amazônia, disse que sim. Que via risco na disposição do Bolsonaro em colocar seu filho, Eduardo, como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Asseverou que isto era para abrir as portas da Amazônia às indústrias americanas. Lula percebeu a tramoia que nos ameaça. A de ter em Washington um representante do Brasil a serviço dos Estados Unidos. Mal tinha saído essa entrevista, e o filho zero três de Bolsonaro, o que quer ser embaixador, jogou-se para os Estados Unidos, acompanhado por um serviçal americano que está na chefia do Itamaraty, o Ernesto Araújo.

Após essa visita inútil, Trump anunciou no Twitter sua vitória. O Brasil vai permitir que mais etanol americano entre no país com isenção tarifária. O lema fantasia de Bolsonaro é “Brasil acima de tudo”. O lema verdadeiro é “Os Estados Unidos em primeiro lugar”.

Assista ao vídeo em: https://nocaute.blog.br/2019/09/03/as-manobras-dos-estados-unidos-para-minar-nossa-soberania-na-amazonia/

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