Julieta Palmeira: Bolsonaro Não. Porque vai piorar a vida da gente brasileira 

Bastou a divulgação das pesquisas nos dias 1 e 2 de outubro e começaram as críticas à Marcha das Mulheres Unidas contra Bolsonaro. Sem noção. É assim que se diz? Ciro Gomes foi o primeiro, publicamente, numa tentativa de explicar a desidratação da sua candidatura que buscava ser uma opção ao antipetismo e à direita. Mas, antes disso alguns já faziam isso em grupos de redes sociais e agora mais que alguns. Argumentos não faltam. Circula nas redes sociais e grupos a ideia de que o foco no combate a Bolsonaro faz crescer Bolsonaro. Tem até gente atribuindo ao resultado das pesquisas às ideias multiculturalistas’ que supostamente direcionaram a grande mobilização de mulheres contra o fascismo e pela democracia. Não dá nem pra comentar isso. Mas de passagem lembro aos que usam esse argumento que trabalhadores tem gênero e raça.  E há ainda explicações do tipo: mexeu na moral ao invés de colocar a política no comando. Mas quem fez isso foi a campanha de Bolsonaro, numa estratégia de resposta à constatação da grande mobilização de mulheres. Tentam mobilizar pela moral e os ‘bons costumes’ explorando valores atrasados que, infelizmente, ainda estão entranhados na nossa cultura. A transferência de apoio de setores religiosos, leia-se pastor Edir Macedo, da candidatura de Alckmin para engrossar a candidatura de Bolsonaro aconteceria em qualquer hipótese.

As brasileiras de todos os cantos do país e no exterior se mobilizam, politicamente, pela democracia, contra o  fascismo, machismo e racismo entrelaçados em nossa sociedade.  Ponto. As brasileiras foram desrespeitadas, atingidas em seus direitos com declarações de Bolsonaro, e de seu time, de que as mulheres devem ganhar menos do que os homens porque engravidam, que algumas merecem ser estupradas, que mulheres negras não são indicadas para se casar, e que os lares de mulheres que criam seus filhos e filhas sozinhas são fábricas de desajustados, num pais aonde a monoparentalidade feminina está em torno de 40% das chefas de família. Entre outras barbaridades, Bolsonaro defende a liberação das armas, que reconhecidamente não reduz a violência, mas ao contrário a promove. E as mães sabem muito bem o que é isso quando perdem a vida dos seus filhos e filhas, maioria negra, para a violência.  Defende a tortura e a morte de civis inocentes. Diante do que representa o candidato Bolsonaro, era para se omitir com receio de que ele se destacasse? Nada a ver. Estamos diante do ressurgimento de ideias que expressam o fascismo e o atraso em nosso pais e em vários outros países. E estamos a desnudar isso nessas eleições.

 

De fato, existe uma ameaça à democracia e à cultura da liberdade. Estamos falando de ideias, de política. Em nosso Brasil, temos uma elite do atraso e nessas eleições setores dessa elite, a exemplo dos ruralistas, preferiram desembarcar da opção de direita e de centro direita de origem, em torno da candidatura de Alkmin, e passaram a  apoiar o candidato  da direita escancarada, o Bolsonaro. Tudo isso para não ter que ver a vitória do PT e seus aliados. E para os que são anti-petistas, mas são democratas e /ou de esquerda, ressalto que seria assim diante de qualquer aliança eleitoral viável que configurasse o rompimento com os objetivos que embasaram o golpe de 2016.Essa é a questão.

Diante disso, cabe aos brasileiros e brasileiras nos próximos dias firmeza na luta para desnudar quem é Bolsonaro e seu time e quais interesses ele defende e porque #elenão. Dizer a toda a gente que Bolsonaro representa mais desemprego, fim do 13˚ salário, fim da aposentadoria, desrespeito aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, mais privatizações, elegia ao racismo e ao machismo, que está na raiz da violência contra as mulheres. Vamos dizer porque defendemos Haddad, declarar o voto, numa intensa batalha olho no olho e nas redes sociais. As brasileiras estão dando o seu recado de luta pela garantia de direitos conquistados e atenção, por uma democracia que tenha também a marca das mulheres, maioria desse pais e maioria dos que ainda não definiram o voto. Bolsonaro Não. Haddad Sim.

 

Julieta Palmeira é médica, secretária estadual de Política para as Mulheres e dirigente do PCdoB

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