Margareth Dalcolmo: Brasil pode rejuvenescer a Covid-19

Como todos os médicos e cientistas, Margareth Dalcolmo, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz, uma das pneumologistas mais experientes do país, tem manifestado preocupação com com o risco de o Brasil não fazer o isolamento social necessário e, com isso, a Covid-19 explodir descontroladamente nas comunidades onde as pessoas vivem aglomeradas e sem saneamento.

Dalcomo defende que, no país, a doença pode “rejuvenescer”, de modo a tornar a média de idade das vítimas brasileiras muito mais jovem do que a da Itália, por exemplo, justamente por nossas condições socioeconômicas.

Abaixo, os principais trechos da entrevista que a pneumologista concedeu ao jornal O Globo:

 

Como a doença é?

A pneumonia da Covid-19 é muito diferente da comum. Ela se caracteriza por ser intersticial e que evolui com fibrose pulmonar, muitas vezes precoce. As tomografias dos pulmões mostram marcas que se parecem com fibroses antigas. Nunca vimos isso antes. E isso é só parte do problema. (…)

Isso pode mudar o perfil da doença no Brasil? 

Sim. Aqui poderemos “rejuvenescer” a Covid-19.  A minha preocupação é que a média de idade aqui seja muito mais jovem do que na Itália, justamente por nossas condições socioeconômicas. Mas não só por isso, mas também pelo que temos visto nos hospitais.(…)

Qual a dimensão disso? 

É verdade que 80% dos casos são leves e não precisam de hospitalização. Mas metade dos 20% restantes vai precisar de ventilação, de respiradores. Se há mil infectados, isso é absorvido pela rede de saúde. Mas se há 50 mil infectados, haverá 5.000 pessoas precisando simultaneamente de respiradores. Esse é o horror dessa doença que se espalha depressa e deixa muita gente doente ao mesmo tempo.

(…)

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