Notícia

Iapaz emite nota sobre assassinato da menina Ágatha Félix

24 setembro, 2019

O Iapaz (Instituto de Estudos e Ação Pela Paz com Justiça Social) se posicionou sobre o assassinato de Ágatha Vitória Félix, que aconteceu na última sexta-feira, dia 20, no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro.  A criança de 8 anos foi morta por um tiro de fuzil nas costas, dentro de uma kombi, ao retornar de um passeio com a mãe. O disparo, segundo testemunhas, foi efetuado por policiais militares. A família da menina recusou qualquer ajuda financeira oferecida pela secretaria estadual de vitimização, do governo de Wilson Witzel.
De acordo com a nota, “no Rio de Janeiro, nos 8 meses de 2019, a polícia assassinou 1249 pessoas, havendo também algumas baixas na corporação. O clima de terror instalado no estado é preocupante e exige um posicionamento dos organismos nacionais e internacionais em defesa da vida e dos direitos humanos”.
Leia o conteúdo na íntegra:
ÁGATHA ASSASSINADA: ESSE CRIME NÃO PODE FICAR IMPUNE
Ágatha Vitória foi assassinada por agentes do estado do Rio de Janeiro no dia 20/09/19 com tiros de fuzil. Ela não foi a primeira; só esse ano foram 16 crianças feridas entre as quais 5 morreram. A versão sobre os episódios não tem novidade. Geralmente a justificativa é de que houve confronto com bandidos.
No Rio de Janeiro, nos 8 meses de 2019, a polícia assassinou 1249 pessoas, havendo também algumas baixas na corporação. O clima de terror instalado no estado é preocupante e exige um posicionamento dos organismos nacionais e internacionais em defesa da vida e dos direitos humanos.
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, não respeita a Constituição e se tornou um verdadeiro incentivador de extermínio de pobres, negros, crianças e moradores das favelas.  Comemorou a morte de um jovem que portava uma arma de brinquedo e tinha transtorno mental; autoriza a polícia a metralhar áreas onde moram populações carentes; ordena abater aqueles que estejam portando armas.
Essa política de “insegurança” pública terá consequências imprevisíveis. Não podemos aceitar os assassinatos em massa de populações pobres e carentes em nome de combate à criminalidade. A paz só é possível com respeito aos diretos humanos, e propiciando dignidade à população. Sem justiça socia não há paz.
A questão da violência contra negros e pobres é histórica e sempre foi combatida por aqueles que buscam construir uma sociedade onde todos possam viver com dignidade. A situação atual, entretanto, se agrava de forma assustadora, infelizmente com apoio de setores da sociedade alimentados por uma elite racista, misógina, machista e pobrefóbica.
O IAPAZ, fundado em 15 de dezembro de 2003, durante toda a sua trajetória sempre defendeu a construção da paz com justiça social. Hoje manifesta repúdio à política genocida do Governo do Rio de Janeiro e conclama todas as entidades e instituições que defendem a justiça a se unirem em defesa dos direitos humanos, barrando a escalada fascista em curso no Rio de Janeiro e no Brasil.
Álvaro Gomes- Presidente do IAPAZ- Instituto de Estudos e Ação pela Paz com Justiça Social
Salvador, setembro de 2019
 
 

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