Notícia

População se solidariza com jornalista agredido por PMs em Salvador

7 julho, 2015

 
No sábado (4/7), o jornalista Marivaldo Filho foi espancado por PMs no bairro do Bonfim, em Salvador. Ele estava em uma confraternização, quando duas pessoas se desentenderam. “Tinha uma viatura perto. Durante a abordagem, os policiais tiveram uma postura a favor de um dos envolvidos na briga, que era policial, e deram início a uma sessão de espancamento contra o outro. Os policiais chegaram até a ralar o rosto do rapaz no chão.  Por conta da atitude, decidi registrar a ação”, conta.
Isso foi o bastante para Marivaldo ser tratado de forma violenta. Quando um dos policiais percebeu que ele fazia o registro da ação, imediatamente o abordou e de forma violenta, pedindo que apagasse as fotos. O jornalista tentou argumentar e foi preso.
Marivaldo foi algemado e levado para o camburão da viatura da PM. Antes, foi vítima de agressões. “Ele começou a dar vários socos em minha cabeça. Depois pediu meu celular e pediu para destravar para que ele pudesse apagar as fotos. Eu tinha recebido tanto soco que não tinha mais condições nem de digitar a senha do meu celular. Quanto mais errava a senha, mais socos recebia. Ele pegou alguma coisa no chão, que eu acredito que tenha sido uma pedra, e me agrediu. Sangrou muito. Acho que o PM só parou de me bater quando viu que eu estava sangrando muito”, relatou.
Marivaldo Filho foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Roma pelos próprios policiais e recebeu atendimento dos profissionais de saúde algemado. Depois, o jornalista foi levado para a Central de Flagrantes, nos Barris. “Na versão deles, eles disseram que eu tinha desacatado eles. Disse que falei ‘policiais de merda’. Inventaram uma história só para defender o amigo deles”, denuncia.
Diante da situação, órgãos e políticos baianos foram à público registrar a indignação em relação ao caso. A deputada federal Alice Portugal declarou solidariedade ao jornalista e disse que esse tipo de situação precisa ser combatida.
“A agressão a imprensa está se transformando em algo corriqueiro. Não é possível que essa agressão tenha se perpetrado de maneira arbitrária por policiais que, ao invés de buscar dirimir um conflito de rua, agrediram o rapaz de uma maneira tão violenta. É preciso que se apure o caso e os policiais que praticaram esse ato”, declarou a parlamentar.
O deputado federal Daniel Almeida declarou que vai fazer um pronunciamento na Câmara Federal nesta terça-feira (7/7), em defesa do jornalista Marivaldo Filho.
Posicionamentos
No final da tarde do domingo (5), o governador Rui Costa falou sobre o fato. No Facebook, ele afirmou que determinou ao “secretário de Segurança, Maurício Barbosa, e ao comandante da PM, coronel Anselmo Brandão, a apuração rigorosa dos acontecimentos”. Rui também destacou que o governo “atuará sempre para assegurar que a democracia seja vivida de forma plena, garantindo a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, o direito de o jornalista exercer sua profissão mediante qualquer situação. Não permitiremos em nosso estado intimidações, constrangimento e nenhum tipo de violência contra o profissional ou contra o cidadão que denuncie ato ilícito”.
Investigação
A Corregedoria Geral da Polícia Militar da Bahia iniciou um procedimento administrativo nesta segunda-feira (6) para apurar a denúncia de agressão sofrida pelo jornalista. Em nota, a PM reiterou que “adotará todas as medidas necessárias para buscar a verdade dos fatos e reafirma que não coaduna com posturas agressivas por parte de policiais militares. Caso haja a confirmação da denúncia, a PM aplicará as sanções previstas em lei.”
 
 
 
 

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