PCdoB em Ilhéus denuncia a inabilidade do prefeito Marão

O Comitê Municipal do PCdoB em Ilhéus, no sul da Bahia, emitiu uma nota de repúdio aos ‘descompassos’ do governo do prefeito Mário Alexandre (PSD), mais conhecido como Marão, e de denúncia da ‘inabilidade política e administrativa’ do gestor. Ilhéus é um dos principais municípios da região e, na avaliação dos dirigentes comunistas locais, Marão tem desenvolvido na cidade uma política antipovo e anti-inclusiva.

No posicionamento, o PCdoB local ainda se compromete a fazer um enfrentamento ‘sistemático, porém propositivo’ da gestão do prefeito. Abaixo, a íntegra da nota.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) vem repudiar os descompassos do governo Mário Alexandre frente aos compromissos éticos, políticos, sociais e econômicos assumidos com a sociedade ilheense. Por inabilidade política e administrativa, o executivo municipal tem ferido mortalmente os interesses mais caros ao povo, frustrando a esperança dos que acreditaram na possibilidade de viver em uma cidade mais inclusiva.

Sempre fiel às demandas populares, mas agindo com responsabilidade política, o PCdoB, mesmo estando entre as forças derrotadas democraticamente no último pleito eleitoral, ao longo desses dois primeiros anos da gestão capitaneada por Marão, torceu pelo seu sucesso e buscou contribuir com a cidade, principalmente através do mandato do deputado federal Davidson, em seus períodos de exercício, e articulando políticas públicas junto ao governo do estado. Tomamos como irresponsabilidade fomentar a tese do “quanto pior melhor”, pois sabíamos que, ao final, os mais pobres são os mais prejudicados, fato constatado hoje.

Torcemos muito para que o governo municipal conseguisse o objetivo de fazer com que os serviços e equipamentos públicos se tornassem uma opção viável e digna. Para isso, as escolas precisariam funcionar em tempo integral e conquistar um nível de qualidade considerado adequado. As creches, de excelência, tinham de ser equipadas para atender muitas crianças; com isso, mães e pais poderiam deixar seus filhos e filhas o dia inteiro com tranquilidade e satisfação.

Mário deveria garantir o direito à cidade, cuidando, sobretudo, da mobilidade urbana. Dado o perfil territorial do município e, tomando como referência experiências exitosas pelo mundo afora, nosso prefeito poderia perseguir a modalidade de “tarifa zero”, ou seja, os Ilheenses não pagariam mais por esse serviço público porque o sistema não teria operadores privados, sendo financiado pelo conjunto da população que já paga uma extorsiva tributação. Com isso, Ilhéus ficaria menos poluída, ambientalmente sustentável e socialmente inclusiva.

Seria necessário uma atenção especial à infraestrutura no centro e interior do município, notadamente as estradas, para garantir que essa importante parcela da população não tenha dificuldades de locomoção e transporte das mercadorias produzidas.

Urgente se faz a ampliação da rede de saneamento, fato que implicaria a redução dos gastos com a atenção básica à saúde, outro grande problema. Uma cidade que se orgulha da sua matriz cultural, precisaria buscar criar centros culturais e recreativos em todos os bairros, requalificar e revalorizar praças e parques, cuidando da sua boa iluminação e conservação, apresentando mais opções de lazer para a população.

Essas seriam medidas para transformar Ilhéus numa cidade de todos nós, mas que passam longe dos parcos momentos de reflexão do mandatário maior.

Diante do exposto, nós, do PCdoB, concluímos que a embarcação dirigida por Marão está à deriva. Sua inépcia enquanto gestor é irrefutável. O governo municipal foi terceirizado, e, agindo como uma espécie de “rei indolente”, o médico-prefeito só faz assinar, sem mensurar através de análises meticulosas – atitude esperada de um gestor responsável -, os malefícios das decisões atabalhoadas que vem assumindo.

Dentre os últimos escárnios produzidos, estão o segundo aumento consecutivo da tarifa do transporte coletivo em índices superiores à inflação do período, e a demissão de centenas de servidores efetivos. Sob a alegação de cumprir uma ordem judicial, Marão usurpou a dignidade financeira de várias famílias. Através de um Decreto, seguido de uma Portaria, o prefeito-médico tratou anos de serviço público como algo secundário. Pouco importou a vida de pais e mães de família, o que esteve em jogo foi uma austeridade obtusa que nem mesmo o prefeito consegue explicar.

Frente a esse quadro estarrecedor, o PCdoB, partido que é símbolo da luta pela liberdade e pelo direito dos trabalhadores no país não pode se omitir. Sendo filha legítima do valoroso povo trabalhador, nossa organização partidária representa seus interesses presentes e futuros. Devemos a essa sinergia com a classe trabalhadora nosso poder de resiliência, mesmo nos contextos nos quais direitos fundamentais são barbaramente violados.

Faremos um enfrentamento sistemático, porém propositivo, ao desgoverno Marão. Nos espaços públicos, nas organizações sociais e dentro do parlamento, esse posicionamento será inegociável. Instaremos nosso representante no legislativo, vereador Nerival, a direcionar sua atuação parlamentar dentro da perspectiva acima exposta, assegurando, todavia, ao mesmo, caso deseje, a liberdade de se vincular ao projeto de cidade que achar mais permeável às suas inquietações programáticas e pragmáticas.

A decisão por esse caminhar legitima-se pela história de lutas e conquistas do PCdoB ao lado do povo brasileiro e por uma Ilhéus mais justa e humana.

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