Renan Araújo: Ode ao camarada Deo

 

 

Brilha o sol ao 2 de julho
A Bahia seria hoje de marchas populares nas ruas.
Seria.
Na Bahia da pandemia, as pedras irregulares das ruas tortuosas da Salvador antiga e da Salvador histórica sentirão tua falta.
As pedras, lapidadas por pés de escravizados libertos e de homens e mulheres livres que os sucederam, choram tua ausência.
E ausência de todos.
Os pés firmes não obedecerão hoje o comando de sempre: avante!
Em algum leito de hospital, recuperas tua saúde.
Estás vencendo a guerra contra a o vírus
Tu, piloto de tempestades.
Tu, bancário, médico, pai, avô
Tu, revolucionário de sempre
Tu, amante da vida, das farras e das lutas
Não é fácil para uma doença qualquer levar-te de nós.
Ficarás conosco um tanto mais
Aqui fora sentirás que és amado.
E a luta continua até o encontro com as nossas utopias.
Avante, Camarada Deo!
Requiens,tributos e elegias não te cabem agora.
Ainda é possível ouvir o som dos cavalos selvagens
De Moscou a Havana livre (caminhos que percorreste)
De Barra do São Francisco a Salvador
Sempre!

 

Renan Araújo é médico

Textos Relacionados
Deixe seu recado