Sakamoto: Por que Bolsonaro fala tanto de cocô?  

Jair Bolsonaro vem recorrendo, há uma semana, ao cocô como retórica de governo. Disse que para preservar o meio ambiente, basta “fazer cocô dia sim, dia não”. Reforçou, depois, para quem não entendeu da primeira vez, que a solução para os problemas ambientais “é só cagar menos”. Também reclamou que “cocozinho petrificado” de indígena consegue barrar licenciamento de obras. E prometeu “acabar com o cocô no Brasil” – para ele, os comunistas. 

A fim de tentar entender a mais recente escalada escatológica do presidente, o blog conversou com Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Ele é um dos coordenadores do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP e ganhador do prêmio Jabuti pelo livro “Estrutura e Constituição da Clinica Psicanalítica”. 

“Ele está optando pela pauta moral. O que combina com a ideia mais básica da analidade – criança aprende a controlar os esfíncteres, aprende o que é o lugar do banheiro, aprende que tem que manter a higiene corporal. Isso tudo é o que? O início da moralidade. É também o momento em que a gente começa a aprender o processo civilizatório, do decoro, da vergonha e, mais adiante, da culpa. O discurso moral, quando você vai enxugando psicanaliticamente, frequentemente vai dar na merda, na bosta, exatamente o que o presidente está praticando”, afirma. 

Bolsonaro sempre recorreu a comentários de conotação sexual ao longo de sua carreira. Em uma live recente, questionou se o ministro da Justiça, Sérgio Moro, faria “troca-troca” com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, constrangendo-o. Dunker analisa essa questão como um misto de conveniências políticas com limitações pessoais do presidente, de se mostrar autêntico junto com uma grande insegurança estrutural. 

 

Leonardo Sakamoto é jornalista  

Para ler a íntegra do artigo, clique aqui 

Textos Relacionados
Deixe seu recado