Victor Pataxó: #AdiaEnem

Criado no ano de 1998, o Exame Nacional do Ensino médio teve por princípio avaliar anualmente o aprendizado dos alunos do ensino médio em todo o país para auxiliar o ministério da Educação na elaboração de políticas pontuais e estruturais de melhoria da educação e do ensino brasileiro através dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino Médio e Fundamenta.

O Enem foi criado durante o Governo Fernando Henrique Cardoso e do Ministro da Educação Paulo Renato Souza, sendo a primeira iniciativa de avaliação geral do sistema de ensino implantado no Brasil. O Exame que tinha 63 questões aplicadas em um dia de prova, e passou a partir de 2004, a servir para ingresso em cursos superiores no caso de candidatos que, com a nota do exame, se inscrevessem para conseguir bolsa de estudo em faculdades particulares pelo ProUni. Em 2009 o exame adotou um novo modelo de prova com a proposta de unificar o concurso ao vestibular das universidades federais brasileiras. O novo Enem passou a ser realizado em dois dias de prova, contendo 180 questões objetivas e uma questão de redação. Em 2017 também houve mudanças a prova que era aplicada em um final de semana sendo no sábado e no domingo passou a ser aplicada em dois domingos consecutivos tendo no primeiro domingo, linguagens, ciências humanas e redação, com cinco horas e meia de prova; no segundo, matemática e ciências da natureza, com quatro horas e meia de prova. Em 2020 diante do governo Bolsonaro o ENEM também teve novidades, começando pela ideia de ENEM digital, segundo o Inep a prova digital será aplicada  para 100 mil participantes em todo o país. A intenção do ministério da educação é aumentar a cada ano a quantidade de participantes que farão as provas digitais, até elas substituírem totalmente as provas impressas, em 2026, visando reduzir custos de impressão.

Porém a maior questão não é essa, estamos passando por uma pandemia onde mais de 11 mil brasileiros perderam a vida e mais de 163 mil estão infectados por COVID-19, mesmo diante a recomendação de isolamento social da OMS, o ministro da educação Abraham Weintraub afirma que data do Enem se mantém e que tudo isso serve pra pressionar governadores e prefeitos a voltarem à rotina de aula.

A UNE e UBES entidades responsáveis por diversas lutas em defesa dos estudantes e do país, pedem o adiantamento do ENEM, colocando em questão a necessidade defender a vida dos estudantes em meio a toda essa crise mundial. Segundo a união Nacional dos estudantes cerca de 19 países com exames similares ao Enem adiaram ou cancelaram, cerca de 4 substituíram por outra forma de avaliação. A reivindicação é também para que se apure as falhas que atingiram cerca de 6 mil candidatos, além de averiguar se os resultados atribuídos às provas estão realmente condizentes com o desempenho dos estudantes.

Muitos dos estudantes do nosso país não têm acesso à internet, principalmente os estudantes do campo, ribeirinho, quilombolas, povos indígenas e etc, e tem muito mais dificuldades em poder fazer a prova. Adiar o Enem é essencial para que mais estudantes possam sonham com a entrada na universidade, e ainda mais, sonhar em poder mudar a vida de suas famílias, a irresponsabilidade do governo não pode colocar em risco a vida dos estudantes.

 

Victor Pataxó é estudante de Produção Cultural da UFBA e vice-presidente regional da UNE na Bahia.

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