No momento em que o mundo protesta contra o racismo e prega a valorização das vidas negras, 80% das candidaturas registradas pelo PCdoB-Bahia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições deste ano são de pessoas pretas e pardas. Entre os 2182 candidatos e candidatas do Partido, 1692 se autodeclararam pessoas pretas e pardas, um expressivo número que corresponde exatamente à proporção de negros e negras entre a população do estado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
As mulheres negras, especificamente, são destaque entre as candidaturas comunistas baianas. Das 720 candidatas que disputam as eleições pelo PCdoB na Bahia, 563 se autodeclararam negras e pardas, o que equivale a 78,2% do total - seis são indígenas e 151 são brancas ou amarelas.
O principal projeto eleitoral do Partido no estado está em Salvador, com a candidatura a prefeita de Olívia Santana, uma mulher negra e militante nacional da luta antirracista. Ela lidera a chapa ‘Experiência, Amor e Raça’, que tem um homem negro como vice, o esportista Joca Soares, do Progressistas.
O incentivo à participação de pessoas negras e indígenas na política é uma bandeira do PCdoB, que atua para fomentar e dar assistência às candidaturas. Em maio, a Secretaria de Combate ao Racismo do PCdoB-BA, que tem como titular Alex Reis, construiu uma rede para acompanhar e oferecer apoio às pré-candidaturas negras e indígenas no estado, por exemplo.
No cenário nacional, a porcentagem de candidaturas pretas e pardas do PCdoB foi superior à média registrada pelo país, que foi de 49,9%. Das 270 candidaturas do Partido às prefeituras brasileiras, 52,69% se declararam pardas ou pretas; entre as concorrentes a vice-prefeituras, mais de 70% disseram ser pardas ou pretas; e entre os candidatos a vereador, o percentual foi de 67%.
O PCdoB indicou um homem negro, Orlando Silva, para a disputa pela prefeitura de São Paulo, o maior município do país. Orlando, apesar da militância na capital paulista, é baiano, natural de Salvador.