A construção de mais um espigão na Barra, no terreno onde funcionava um grande supermercado na Rua Barão de Itapuã, próximo ao Porto da Barra, voltou a acender o sinal de alerta sobre os efeitos da verticalização acelerada no bairro. O novo empreendimento prevê cerca de 600 unidades habitacionais, o que gera preocupação entre moradores, ambientalistas e parlamentares.
O tema foi debatido em uma audiência realizada na manhã desta terça-feira (8), com a presença da vereadora Aladilce Souza (PCdoB), da promotora Cristina Seixas, coordenadora da divisão ambiental do Ministério Público da Bahia, e do advogado Yuri Arléo, que representa um grupo de moradores da região.
Durante a reunião, Aladilce alertou para os múltiplos impactos causados por esse tipo de projeto, que vem substituindo casas e comércios locais por grandes empreendimentos imobiliários. Para a parlamentar, a Barra está sendo sufocada: a cada novo prédio, aumentam os problemas de trânsito, de saneamento, de poluição sonora e ambiental, afetando diretamente a qualidade de vida da população.
O advogado Yuri Arléo destacou que, apenas no Jardim Brasil, foram construídos dez prédios nos últimos anos, aumentando a pressão sobre a infraestrutura do bairro. Segundo ele, o novo empreendimento pode agravar ainda mais os gargalos urbanos já existentes.
A promotora Cristina Seixas reforçou a necessidade de análise detalhada das licenças urbanísticas, incluindo o Relatório de Impacto de Trânsito (RIT). Ela e Aladilce defenderam que esse debate deve envolver a sociedade civil e contribuir para o processo de revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador, previsto para os próximos meses.
Para Aladilce, a cidade precisa ser planejada com participação popular, respeitando os limites dos bairros e garantindo qualidade de vida para quem mora neles.