A Comissão de Cultura da Câmara realizou, na última quarta-feira (30/06), uma diligência nas instalações da nova sede da Fundação Cultural Palmares (FCP), em Brasília, para, principalmente, monitorar a conservação do acervo da entidade. A visita aconteceu após o presidente da Fundação, Sérgio Camargo, anunciar a doação de cerca de 54% das obras consideradas marxistas, o que foi impedido temporariamente, por uma liminar da Justiça.
A comitiva, composta de parlamentares e representantes do Poder Público e da sociedade civil, foi coordenada pela presidenta da Comissão de Cultura, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA). Segundo ela, o cenário encontrado durante a diligência revela um total descaso com o acervo histórico da fundação, sob a gestão de Camargo.
“Materiais valiosos estão armazenados em caixas de papelão. O acervo está incompleto e em condições incompatíveis com a preservação de qualquer livro, sem temperatura, umidade e luminosidade adequadas. O trabalho que a direção da fundação teve foi separar os materiais que eles acham que são 'ideológicos', para fazer propaganda política desse governo. Isso é caso de polícia. É gravíssimo”, afirmou a parlamentar.
Na ocasião, Alice questionou os diretores da fundação sobre os livros e documentos dos assentamentos dos Quilombos no Brasil, se existe um acervo da participação brasileira no Festival Mundial de Arte Negra de 2010, ocorrido no Senegal, e se a documentação referente ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares, que foi implantado em 2007, no alto da Serra da Barriga, está protegida. Os diretores não conseguiram responder aos questionamentos da parlamentar.
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que acompanhou a visita, afirmou que “obras que fazem parte da formação do pensamento social brasileiro estão sendo descartadas". "Foi inacreditável ver aquelas imagens de descaso e desprezo com a memória do povo negro brasileiro. Tudo isso a serviço de um projeto ideológico, extremista, ultraconservador. Mas saímos de lá convencidos de que é preciso lutar mais pra encerrarmos esse período triste da nossa história que é o governo Bolsonaro”, destacou o parlamentar.
Ao final da diligência, a deputada Alice entregou nas mãos dos coordenadores um ofício da Comissão de Cultura da Câmara com diversos questionamentos sobre a preservação do acervo histórico e espera que a fundação apresente os devidos esclarecimentos o mais rápido possível.
Também participaram da diligência as deputadas Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ), Erika Kokay (PT-DF), Fernanda Melchionna (PSol-RS), além de Uiara Paulista Braúna (OAB), Santa Alves (Uneagro), Raphael Cavalcante (Conselho Federal de Biblioteconomia), Iêda Leal (Movimento Negro Unificado), Laila Monalar, Gilcy Rodrigues Azevedo e Juçara Quinteros de Farias, servidoras especialistas do CEDI da Câmara dos Deputados.
Com Ascom/Alice