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Alice Portugal: “O critério de vacinação não pode ser o dinheiro”

7 abril, 2021

A Câmara dos Deputados aprovou, na última terça-feira (06/04), o texto-base do projeto de lei que autoriza a compra de vacinas contra a Covid-19 por empresas privadas. A decisão foi alvo de muitas críticas, inclusive dos parlamentares do PCdoB, pela possibilidade de ‘furar’ a fila de imunização e de o poder público concorrer com a iniciativa privada pelas compras das substâncias, no mercado.

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA), que é farmacêutica bioquímica, defendeu que o projeto é desumano e contraria a ciência. “A ordem de vacinação é baseada em determinações científicas. O critério não pode ser o dinheiro. Isso significa tirar a vacina de grupos prioritários. Temos um sistema público de saúde eficiente e ativo que tem capacidade de vacinar o Brasil”, disse.

Alice ainda prevê uma desleal disputa por vacinas entre as empresas e o Sistema Único de Saúde (SUS), que vão buscar nas mesmas fontes, em um momento de escassez de imunizantes. “Os empresários milionários vão se vacinar na sua frente, ou de seu pai, sua mãe. O critério será quem tem mais dinheiro!”, afirmou a parlamentar baiana.

O deputado federal Daniel Almeida (PCdoB/BA) também criticou a aprovação da proposta, considerada por ele como absurda, também pela concorrência que pode provocar entre entes públicos e privados. “Não há oferta suficiente para que os estados comprem, e tendo as empresas privadas como concorrentes, a luta ficará desigual. Vacinação ampla é pelo SUS!”, defendeu.

Após a aprovação do texto-base, os deputados federais devem discutir, agora, os destaques, que são as propostas de modificação de alguns trechos do projeto. A discussão deve ser retomada nesta quarta-feira (07).

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