Em entrevista ao Instituto Humanista Unisinos em 26/08/20, o ex reitor da Universidade Federal da Bahia e um dos mais destacados epidemiologistas do Brasil, Naomar Almeida Filho, considera que a política de enfrentamento do governo federal a pandemia covid-19 é “triste, lamentável. Irresponsável e criminosa, incompetente sob todos os aspectos.”
O Brasil hoje, já acumula 3.862.311 de infectados e 120.896 pessoas já morreram, é o segundo do mundo em números de contaminados e em número de perdas de vidas, e o primeiro entre os vinte países mais populosos em mortes por milhão de habitantes, 568/milhão, ultrapassando os Estados Unidos 566/milhão.
O Brasil teve a sua primeira morte em 17 de março 2020, e em 19/05/20, foram 1.130. A partir dessa data, até o dia 30/08/20, a média de perdas humanas tem sido de 1018 diariamente, passou de 17.983 mortes para 120.896. Um quadro onde Naomar considera que a epidemia em função do desgoverno no Brasil está se tornando endêmica.
Lamentavelmente, fruto de uma política genocida do governo federal, com um posicionamento negacionista e sabotador das medidas que visam salvar vidas, milhares de pessoas morreram quando essas mortes poderiam ser evitadas. Os países que seguiram as orientações da ciência, conseguiram resultados positivos no controle da epidemia.
Podemos citar alguns exemplos como a China, Noruega, Nova Zelândia, Argentina, Alemanha, Cuba, que conseguiram evitar milhares de mortes. O Brasil tinha toda possibilidade de controlar a epidemia, com base nos resultados exitosos de vários países, mas o governo Bolsonaro, deliberadamente caminhou em outra direção, negando a ciência, estimulando aglomerações e dificultando recursos para combate a covid-19.
Não existe ministro da Saúde desde 15 de maio/20 quando Eduardo Pazuello, general do exército assumiu interinamente a pasta, e até hoje não foi feito pelo governo federal um plano nacional de combate a pandemia.
Diante de um cenário tão difícil para o povo brasileiro, que enfrenta uma política de retirada de direitos e aprofundamento da pobreza e da desigualdade social, é necessário que a sociedade organizada lute contra a necropolítica do governo federal e defenda a ciência, a democracia e a preservação de vidas.
Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ. Artigo publicado originalmente no site do Sindicato dos Bancários.