A IV Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir), realizada no Hotel Fiesta, em Salvador, segue até sexta-feira (22), reunindo representantes do movimento negro, lideranças comunitárias, acadêmicos e gestores públicos. O encontro se consolida como um espaço fundamental de formulação e articulação de propostas para o enfrentamento ao racismo e à promoção de direitos no Estado.
Para Ângela Guimarães, secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), a conferência representa um marco para a consolidação de políticas públicas voltadas à população negra. “A IV Conepir não é apenas um espaço de debate, mas de construção de propostas concretas para a mudança da realidade da população negra no Estado. É através do diálogo com a sociedade civil e o poder público que conseguimos avançar”, afirmou.
A conferência estadual também cumpre o papel estratégico de eleger delegados e delegadas e consolidar propostas que serão levadas à V Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), prevista para setembro, em Brasília. Entre os temas centrais em debate estão educação, acesso a direitos fundamentais, valorização das comunidades tradicionais e combate às violências raciais.
O primeiro dia contou ainda com apresentações de políticas públicas desenvolvidas por diferentes órgãos e secretarias estaduais, como o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (CRNM), a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo (Decrin), além das secretarias de Educação, Trabalho, Assistência Social, Justiça, Ciência e Tecnologia, entre outras.
A programação foi aberta com um Ato de Celebração pelos 37 anos do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), órgão estratégico criado em 1987 e vinculado à Sepromi, responsável por propor, avaliar e fiscalizar políticas públicas de promoção da igualdade racial. Na ocasião, foram homenageados dirigentes, militantes e representantes do movimento negro que marcaram a trajetória do conselho.
Segundo Ângela, a história do CDCN é inseparável da própria caminhada das lutas antirracistas na Bahia. “O CDCN tem sido um aliado essencial no enfrentamento das desigualdades étnico-raciais em nossa sociedade. Celebrar sua história é reafirmar o compromisso com o presente e com o futuro da população negra”, destacou.
Coordenada pela Sepromi, a IV Conepir tem apoio do CDCN, do Conselho Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT) e do Conselho Estadual dos Povos Indígenas da Bahia (Copiba). A noite de abertura foi encerrada com a leitura do regimento do encontro e um jantar cultural embalado pela cantora Cha Rise.