Em comemoração aos 37 anos de resistência e organização do movimento negro, a União de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO) realizou, na última segunda-feira (14), a primeira edição do Troféu UNEGRO, no Cine-Teatro 2 de Julho, no bairro da Federação, em Salvador.
Entre as homenageadas da noite, duas lideranças de destaque receberam o reconhecimento: Ângela Guimarães, secretária da Sepromi (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia), e Olívia Santana, deputada estadual e uma das fundadoras da UNEGRO na Bahia. As duas mulheres são referências na luta antirracista e na defesa dos direitos humanos, acumulando décadas de militância pelos direitos da população negra.
“Recebi com alegria o Troféu UNEGRO 2025 durante a cerimônia na noite de ontem, aniversário de 37 anos da entidade. Uma homenagem carregada de simbolismo, força ancestral e memória viva da luta antirracista”, afirmou Ângela Guimarães. Militante desde muito jovem, ela destacou a importância da UNEGRO como trincheira do movimento negro e reforçou o compromisso de seguir impulsionando transformações sociais.
Já a deputada Olívia Santana emocionou o público com um discurso potente sobre a necessidade de transformar a presença negra em potência política. “Nós somos poucas e poucos com essa consciência política transformadora, mas somos milhões de brasileiras e brasileiros. Precisamos transformar nossa presença numérica em força política para mudar esse país. Não temos vocação para colônia, temos vocação para quilombo, para insurgência!”, afirmou.
O Troféu UNEGRO surge com o objetivo de valorizar e divulgar o trabalho de personalidades baianas e nacionais que fortalecem a luta contra o racismo e pela igualdade racial. Segundo a presidenta da UNEGRO na Bahia, Marina Duarte, o evento representa continuidade da tradição da entidade em reconhecer figuras importantes da cultura e da política. “O troféu é uma forma de dar visibilidade e homenagear quem está na linha de frente dessa luta cotidiana contra o racismo e por direitos”, destacou.
A UNEGRO já havia realizado outras premiações, como o Troféu Clementina de Jesus, entregue a personalidades como Elza Soares e Lázaro Ramos. A nova edição consolida esse processo de reconhecimento e memória, reunindo homenageadas e homenageados dos campos da política, arte, educação e ativismo social. A cerimônia foi marcada por emoção, ancestralidade e reafirmação do compromisso coletivo com a luta antirracista.