O último ano marcou a consolidação de uma política pública madura e estruturada para o artesanato da Bahia. Mais do que ações pontuais, afirmou-se um modelo consistente de gestão baseado no tripé da qualificação, da promoção e da comercialização, reposicionando o artesanato como ativo estratégico da cultura, da economia criativa e do desenvolvimento social. Em um estado que está entre os três maiores polos de artesãos do Brasil, os resultados evidenciam a força de um saber ancestral que dialoga com o presente.
A qualificação esteve no centro da política, de modo que foram realizados cursos voltados ao fortalecimento produtivo e à autonomia dos artesãos e artesãs, como o Fortalecimento da Força das Mulheres, em Maragogipinho, além de cursos de biojoias, balaio criativo e balaio sustentável, vinculados às ações do 2 de Fevereiro. Somam-se formações em marketing digital, precificação, estratégias de participação em feiras e comercialização de produtos. Destacam-se ainda os encontros e cursos para crocheteiras durante o FENABA, ampliando a inclusão, diversidade e acesso.
O artesanato baiano também ampliou seu diálogo com a moda e o design, marcando presença no SPFW e fortalecendo parcerias como o projeto Mãos na Moda, que conecta grupos produtivos a estilistas e novos circuitos de criação, consumo e visibilidade.
Houveram também importantes feiras, como a Feira de Povos e Comunidades Tradicionais, a Feira do Artesanato Indígena durante o Acampamento Terra Livre (ATL), além de ações na Festa da Boa Morte, em Cachoeira, e na Feira dos Caxixis, em Nazaré. No campo dos festivais, destacam-se a realização do segundo Festival Nacional do Artesanato da Bahia (FENABA), a consolidação do III Festival da Cerâmica de Maragogipinho e o lançamento do Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária, realizado em Cabrália.
O artesanato baiano marcou presença em feiras nacionais como a Fenearte, em Pernambuco, e a Fenacce, no Ceará, além de experiências internacionais, como a participação na Lavagem de La Madeleine, em Paris, com biojoias do Quilombo Pitanga de Palmares. Destaca-se ainda o diálogo com a Apex, que levou à Casa do Artesanato da Bahia compradores de 32 países.
A percepção de que o artesanato pode estar em qualquer lugar se materializou com sua presença na Casa Cor, na ocupação do Museu de Arte Contemporânea, na participação no Origem Week, no Festival Nordestino da Economia Solidária e no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira. O artesanato da Bahia segue reafirmando a sua força ancestral e projeta o futuro.
Weslen Moreira
Coordenador de Fomento ao Artesanato da SETRE
Mestre em Educação | Professor | Advogado