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Artigo: “Mais Carnaval?!”, por Aladilce Souza

19 fevereiro, 2024

Salvador vive uma onda interminável de festas com investimentos públicos. Para se ter uma ideia, em apenas dois shows do Festival da Virada + o carnaval de 10 dias, foram investidos R$ 21 milhões de reais.

Como se não bastasse, outra festa patrocinada com dinheiro público teve início neste final de semana e segue até o outro, o Festival Viva Verão, sendo que o aniversário de Salvador está próximo e tem festa programada para acontecer no início de abril.

A realização de mais um festival, após praticamente meio mês de folias, é motivo de surpresa e preocupação. Além de paralisar parte do comércio, do transito, de impedir o ir e vir de moradores e trabalhadores, influencia diretamente no foco e na atenção sobre uma cidade que precisa enfrentar os problemas graves que todos os dias dificultam a vida do povo.

Diante da dura realidade dos transportes, da saúde pública, da falta de saneamento, do alto índice de desemprego, daqueles que não sabem o que vão comer, o povo se distrai com as festas e vê reeditada a política do “Pão e circo“, lá do Império Romano, que tem o objetivo de aumentar a popularidade de governantes, neste caso o da prefeitura de Salvador.

A cultura precisa ser uma política pública forte, pois ela é a expressão de um povo, capaz de movimentar muito a economia e o PIB do país. Mas, enquanto política pública, ela também precisa acontecer em diferentes formatos para a difusão, circulação, apoio e fomento à criação, como parte da educação formal e formação de plateia.

O entretenimento sem outras ações que ajudem a resolver as desigualdades é o pão e o circo, um paliativo perigoso, que disfarça, mas é incapaz de ocultar para sempre a realidade.

Ouvir o povo, o que ele pensa, como gostaria que os investimentos fossem feitos pode surpreender e ajudar a prefeitura com outras propostas de prioridades, aquelas possíveis de serem executadas com bem menos recursos públicos.

E você, sabe o que representa 21 milhões? E como investiria esse dinheiro em Salvador?

 

Escrito por: Aladilce Souza
Enfermeira, ex-vereadora de Salvador e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

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