A bancada do PCdoB na Assembleia Legislativa do Estado (AL-BA) encaminhou uma indicação ao governador Rui Costa (PT) para que o Hospital Metropolitano, no município de Lauro de Freitas, seja batizado com o nome de Haroldo Borges Rodrigues Lima. Os deputados estaduais Olívia Santana, Zó, Bobô e Fabrício Falcão querem, com isso, prestar uma homenagem ao dirigente comunista Haroldo Lima, morto no mês passado, vítima da Covid-19.
Na indicação, a bancada defendeu que os equipamentos públicos devem receber nomes de personagens extraordinários, que possuíram “habilidades raras de antecipar tendências, romper conjunturas e ser atuais”, em todos os contextos e dinâmicas. “Haroldo Borges Rodrigues Lima é um desses personagens que a musa suprema da memória e da criatividade forjou e capacitou para enfrentar desafios e fazer história”, justificaram os parlamentares.
Além do batismo do hospital com o nome de Haroldo, os deputados do PCdoB-BA também defenderam a produção e instalação de um monumento em homenagem ao dirigente comunista. Também assinam a indicação o presidente estadual do Partido, Davidson Magalhães, e os deputados federais Daniel Almeida e Alice Portugal, também do PCdoB da Bahia.
No documento enviado ao governador, os deputados também justificaram que homenagem a Haroldo seria, também, um símbolo da resistência, em memória de todas as vítimas que sucumbiram à Covid-19 no estado. “[Elas] lutaram até o fim contra o negacionismo, vestidas de esperança e solidariedade, no intuito de vencer essa batalha contra o vírus, em busca de dias melhores para todas e todos”.
Biografia
Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Haroldo Lima foi líder estudantil da Juventude Universitária Católica (JUC), da União dos Estudantes da Bahia (UEB) e da União Nacional dos Estudantes (UNE). Na década de 60, ao lado de outros militantes, fundou a Ação Popular (AP), para fazer o enfrentamento ao regime militar antidemocrático.
Pela luta contra a ditadura de 64, Haroldo foi perseguido, preso e torturado. Com a abertura política, na década de 1980, elegeu-se deputado federal constituinte, momento em que apresentou mais de 1.200 emendas à Constituição de 88, em defesa da classe trabalhadora e da soberania nacional, e permaneceu na Câmara dos Deputados por mais quatro mandatos.
No governo Lula, esteve à frente da Agência Nacional de Petróleo, Biocombustíveis e Gás Natural (ANP), no momento da descoberta do pré-sal. Haroldo Lima morreu aos 81 anos, no Hospital Aliança, em Salvador.