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Bobô vê essência brasileira na Colômbia: "Neymar carrega a seleção"

30 junho, 2014

Campeão brasileiro em 1988 pelo Bahia, o ex-meia Bobô pendurou as chuteiras em 1997, também com a camisa do clube. Hoje, trabalha como comentarista de futebol na TV. Nas eleições de outubro vai tentar uma cadeira de deputado estadual pelo PCdoB da Bahia. Diz-se empolgado com a disputa da Copa do Mundo no Brasil, o que, quando jogador, afirma jamais ter imaginado. Acredita que, organizados, os jogadores de futebol podem conseguir melhores condições de trabalho no país. Mas lembra que eles precisam retribuir com qualidade, seriedade e respeito à camisa que vestem.

Bobô considera a Arena Fonte Nova a mais bela desta Copa, mas sente saudades do antigo estádio. Diz ainda enxergar o velho campo dentro da nova estrutura modernizada. Em entrevista ao UOL Esporte, ele fala com entusiasmo do futebol colombiano, que, nesta Copa, apresenta “a essência do futebol brasileiro”. Quanto ao time de Felipão, acredita que persista o favoritismo por jogar em casa, mas faz uma ressalva: “Neymar está carregando a seleção sozinho”.

Nesta semana, o ex-jogador lançou a biografia “Raimundo Tavares, o Bobô”. Durante a noite de autógafos, contou a sua percepção destes dias de mobilização nacional com a Copa do Mundo no Brasil. “Até aqueles mais céticos estão dando a mão à palmatória. Onde a gente passa existe sempre um sentimento de que estamos fazendo uma grande Copa do Mundo”, diz.

Bobô lembra que no seu período como atleta, nunca imaginou que veria uma Copa do Mundo disputada aqui. O jogador disputou três partidas com a camisa da Seleção Brasileira em 1989, mas não foi convocado pelo técnico Sebastião Lazaroni para a Copa de 1990, na Itália.

“Tive a chance de disputar a Copa, vivia um momento bom. Eu poderia ter tido essa oportunidade”, lamenta, para em seguida emendar. “Mas eu nunca imaginei ou poderia imaginar que o Brasil voltaria a sediar novamente uma Copa do Mundo. E inclusive na Fonte Nova, é algo fantástico”, afirma. “Aqui, foram os melhores jogos deste Mundial até agora”.

Em 2007, Bobô era diretor-geral da Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb), responsável pelo estádio. Naquele ano, parte da arquibancada cedeu e matou sete torcedores do clube, que despencaram em queda livre. O ex-jogador e o engenheiro Nilo dos Santos Júnior chegaram a ser acusados por homicídio culposo – sem a intenção de matar – porque teriam ciência das más condições do estádio. Ambos foram inocentados pela Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Bahia. Depois do acidente, o estádio foi demolido e a nova arena construída.

Na memória, Bobô diz que o título pelo Bahia e o acidente foram justamente os dois momentos mais marcantes entre ele e o velho estádio. “O título de 88 foi o ápice da minha carreira e de conquistas. Essa taça está aqui, é nossa e ninguém tira. E o acidente é algo muito triste. Hoje, olhando para o estádio, eu ainda enxergo um pouco da velha. A minha história toda foi lá. Tenho detalhes da Fonte Nova na minha mente. É difícil esquecer. Passa um filme na nossa cabeça. Eu joguei outro dia, na comemoração dos 25 anos do título do Bahia. Joguei não, entrei em campo. É outra coisa, outro estádio, estrutura bem diferente, mas passou esse filme lá dentro”.

Sobre as condições atuais de trabalho dos jogadores, ele acredita que elas estejam um pouco melhores, mas ainda há muito para evoluir. “Anteriormente, não tinha um trabalho de conjunto. Hoje, os atletas se comunicam, se falam. Foi um avanço significativo da profissão. Para melhorar o trabalho no futebol como um todo, na organização do futebol. Os caras não querem muita coisa não. Querem mais organização. Se paga tão caro pelo futebol (…) Não é só exigir. O cara precisa ter isso e devolver no campo. Com qualidade, com seriedade, com respeito à camisa que veste”, lembra.

Bobô vê uma crise técnica no atual futebol brasileiro, com a revelação de poucos jogadores. Diz que os clubes, hoje em dia, colocam atletas com menos de 18 anos para atuar no profissional. “O cara não sabe nem bater na bola. Os caras precisam melhorar isso,na base. Depois não melhora mais. Cada vez fica mais difícil aparecer um jogador como o Neymar”, diz ele. Na sua opinião, é ele quem carrega o time de Felipão nas costas.

Bobô diz que o favoritismo da seleção se deve ao fato de jogar em casa, com o apoio da torcida, e porque Neymar está “arrebentando”. “A diferença que vai acontecer é a torcida. O estádio, a pressão, em cima da seleção que vai jogar com a gente. O Neymar tá carregando a seleção sozinho. Está difícil. Esse cara está arrebentando”, disse ele, antes da partida contra o Chile.

Bobô ainda se derreteu com o futebol praticado pelos colombianos e previu a vitória contra o Uruguai. “Gostei da Colômbia, muito. É um time ousado, sem medo de jogar, enfrentando todo mundo de igual para igual. Tem um futebol alegre, brasileiro. A essência da Colômbia é o Brasil. E isso me agrada muito. Não sei o futuro dela, mas a Colômbia não vai perder para o Uruguai. É um time muito interessante de se ver jogar”, lembra.

Fonte: UOL

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