O presidente Jair Bolsonaro criticou a atuação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no caso de Adélio Bispo, autor do atentado do qual foi alvo durante a campanha eleitoral, durante uma entrevista na manhã desta segunda-feira (29/07). Bolsonaro questionou a Ordem por ter impedido o grampo dos advogados do acusado e disse que um dia contará ao presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, como o pai dele desapareceu na ditadura militar.
“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”, afirmou Bolsonaro. Felipe é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, que era estudante de direito e integrava o movimento estudantil contra a ditadura quando desapareceu, em 1974. Ele sumiu depois de ter sido preso junto de um amigo chamado Eduardo Collier por agentes do Doi-Codi, no Rio de Janeiro.
O presidente da República ainda afirmou que o pai do presidente da Ordem participou de guerrilha armada “sanguinária”. Porém, no relatório da Comissão da Verdade, responsável por investigar casos de mortos e desaparecidos na ditadura, não há registro de que Fernando tenha participado de luta armada.
“Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, disse o presidente.
Com Carta Capital