Notícia

Busto de religiosa Mãe Gilda é depredado pela segunda vez em Salvador

16 julho, 2020

O busto que homenageia a líder religiosa Mãe Gilda, no Parque do Abaeté, em Salvador, foi depredado na última quarta-feira (15/07), por um homem que dizia estar agindo “a mando de Deus”. Essa foi a segunda vez que a obra de arte, produzida por Márcia Magno, foi alvo de vandalismo.
Logo após o ocorrido, a filha biológica de Mãe Gilda e também ialorixá Mãe Jaciara dos Santos chegou ao local e gravou um vídeo para mostrar o estado do busto e denunciar a ação. A Polícia Militar foi acionada e o homem foi capturado levado à delegacia.
Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, é tida como um símbolo da resistência religiões de matriz africana no Brasil. Pelas perseguições que sofreu, teve agravamentos de problemas de saúde, o que contribuiu para a sua morte, segundo familiares, e inspirou a criação dos dias municipal e nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Autora do projeto que instituiu o 21 de janeiro – data da morte de Mãe Gilda – como Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, a ex-vereadora de Salvador Olívia Santana (PCdoB) condenou a depredação. Para ela, o ataque é racista e representa um atentado contra o direito à liberdade religiosa.
“A luta pela igualdade está mais viva do que nunca. Me solidarizo com Mãe Jaciara, que é filha de mãe Gilda. Seguiremos em frente defendendo a liberdade e a eliminação do racismo em todas as suas formas de expressão”, afirmou Olívia, que hoje é deputada estadual e pré-candidata a prefeita da capital baiana.
A primeira depredação do busto de Mãe Gilda aconteceu em 2016 e a obra precisou ser reformada.

PCdoB - Partido Comunista do Brasil - Todos os direitos reservados