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Cientista Joana D’Arc Félix recebe desagravo durante evento da Unegro

1 agosto, 2019


A União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro) realizou um debate sobre a presença de mulheres negras no universo acadêmico, na última quarta-feira (31/07), em Salvador. Na ocasião, foi feito um desagrado à professora e pesquisadora Joana D’Arc Félix, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que, recentemente, foi atacada por um erro no currículo.
Joana D’Arc Félix também participaria do debate, mas teve que cancelar a presença por conta de um problema familiar. Segundo Ângela Guimarães, a presidenta nacional da Unegro, o desagravo representou, também, uma forma de homenagem a Joana, que é considerada uma das dez maiores cientistas do Brasil, em volume de produção, com 108 prêmios nacionais e internacionais.
Na avaliação a presidenta da Unegro, o que aconteceu com Joana D’Arc foi perseguição motivada por racismo. “Ela foi insultada por um jornal de grande circulação por um erro que encontraram no seu currículo. Mas outros personagens que também tiveram equívocos no currículo não foram tratados com o mesmo ódio racista, virulência e perversidade”.
O debate promovido pela União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) foi realizado no Centro Cultural da Câmara de Vereadores e batizado de ‘Insurgências das Mulheres Negras na Academia: reinventando saberes, ressignificando olhares’. O evento, que também contou com apresentações artísticas, fechou a agenda de atividades do ‘Julho das Pretas’ na Bahia.
A deputada estadual Olívia Santana, do PCdoB na Bahia, participou do debate e, na intervenção, defendeu a importância de enxergar a educação como um modo de mudar não só a realidade pessoal, mas, também, de combater a opressão que alcança a todo o coletivo de mulheres negras.
“Educação é poder, e nós queremos poder. Mas não queremos poder pelo poder. Nós queremos poder para descontruir aquilo que nos oprime. A gente tem que garantir que caminho reto garanta a passagem de outras tantas mulheres”, defendeu a deputada comunista, que é pedagoga por formação e já foi secretária municipal de Educação em Salvador.
Também participaram do encontro as pró-reitoras de Ações Afirmativas da UFBA e UNEB, Cássia Maciel e Amélia Maraux, respectivamente; a reitora Joana Angelica Guimarães (UFSB); a secretária de Reparação de Salvador, Ivete Sacramento, primeira reitora negra do Brasil; a professora e vereadora da capital Aladice Souza (PCdoB); a chefe de gabinete da SPM, Daniele Costa; Ubiraci Matildes (Fórum Nac. Mulheres Negras); Josiane Clímaco (Assoc. Pesquisadores Negros); Sueli Conceição (Awá/RHOL); e Ebomi Nice, do Terreiro Casa Branca.
Resistência
Segundo Ângela Guimarães, a atividade também foi uma oportunidade de celebrar a resistência e o sucesso de mulheres negras no excludente universo acadêmico. “Ousamos desafiar a ordem capitalista, racista e patriarcal vigente e nos mantemos de pé, conscientes, ousadas, orgulhosas, estudando, trabalhando, escrevendo, produzindo, enfrentando as barreiras visíveis e invisíveis”, finalizou.

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