
As centrais sindicais unidas promoveram, nesta quarta-feira, em Salvador, um 1º de Maio misto: teve festa para comemorar o Dia Internacional do Trabalhador, mas também protesto contra o ataque aos direitos da classe trabalhadora. Um ato, realizado no Farol da Barra, um dos cartões-postais da capital, teve a participação de bandas de música, cujas apresentações foram intercaladas com intervenções de dirigentes dos movimentos sindical e social, e também de lideranças da esquerda.
Entre as críticas, a principal foi direcionada à reforma da Presidência proposta pelo governo Bolsonaro, em tramitação no Congresso. Segundo o presidente estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Pascoal Carneiro, as alterações no sistema previdenciário brasileiro, se não barradas, vão promover um desastroso e perigoso desmonte na Previdência.
“Esse ano, o nosso mote é a reforma da Previdência de Bolsonaro. Nós damos esse nome porque todo mundo está chamando assim, mas, na verdade, é o fim da previdência pública. Então, o nosso 1º de Maio é contra o fim da previdência pública”, explicou Pascoal. Ele garantiu que os trabalhadores não vão acompanhar a tramitação da reforma pacificamente, e que uma greve geral já está sendo construída.
A greve que pretende paralisar o país para pressionar o governo a não aprovar a proposta está marcada para o dia 14 de junho. Até lá, explica o presidente da CTB-BA, vários outros movimentos deverão acontecer, de categorias específicas, como é o caso da greve da educação nas universidades, marcada para acontecer no próximo dia 15 de maio. “Será uma mobilização gradativa pra, de fato, mobilizar a sociedade”, disse.
Como acontece todos os anos, a militância do PCdoB esteve presente no ato e fez coro à denúncia dos malefícios que uma reforma do sistema previdenciário traria para o povo brasileiro. O presidente estadual do partido, Davidson Magalhães, defendeu a permanente articulação dos setores progressistas para impedir que a reforma seja aprovada no Congresso.
“Nós precisamos barrar a reforma da Previdência! Essa reforma é a pedra-de-toque para a quebra dos programas sociais, que foram construídos ao longo desses 12 anos. Já atacaram a política do salário mínimo e, agora, querem atacar a Previdência, os direitos previdenciários e da assistência social. Nós precisamos resistir. Esse é o centro da luta”, afirmou o presidente do PCdoB-BA.
Agregar à luta
A deputada federal Alice Portugal também participou da atividade e reforçou a necessidade de construir uma frente ampla contra a reforma, agregando até quem apoiou o “projeto fake news” de Bolsonaro, nas eleições. “Aqueles que foram enganados [por Bolsonaro], devem ser acolhidos e puxados para o lado da luta. [Senão] Em menos de um ano, eles [o presidente e a sua equipe] vão acabar com o Estado soberano brasileiro”, disse.
Na ocasião, a deputada estadual Olívia Santana defendeu que, mais do que nunca, agora é a hora de ocupar e permanecer nas ruas. “Temos que estar nas ruas, não só hoje, mas todos os dias, lutando contra essa reforma da Previdência, que é nefasta e que veio para acabar com o direito dos trabalhadores”, pontuou.
Para complementar, a vereadora Aladilce Souza explicou que a defesa da Previdência é, também, a defesa do patrimônio brasileiro, pois ela garante “a solidariedade entre as gerações e a proteção daqueles mais desfavorecidos”.
Lula Livre
O 1º de Maio em Salvador também teve pedidos de liberdade para o ex-presidente Lula. O senador Jaques Wagner (PT) esteve na atividade e puxou gritos de ‘Lula livre’. “Precisamos defender a sua inocência e o seu legado, defender um Brasil de todos nós”, afirmou.