A militante de direitos humanos Diva Santana, que é irmã de uma vítima da ditadura civil-militar (1964-1985) e integrante da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), aprovou o filme ‘Marighella’, que chega aos cinemas do país no dia 4 de novembro. Diva esteve entre os convidados de uma sessão especial de exibição do longa-metragem, na última segunda-feira (25/10), em Salvador.
O evento aconteceu no Teatro Castro Alves (TCA), no Campo Grande, e contou com a presença do diretor Wagner Moura, que é baiano, e de parte do elenco do filme. Para Diva Santana, o trabalho realizado por Wagner, baseado na biografia escrita pelo jornalista Mário Magalhães, conseguiu traduzir fielmente o contexto da ditadura e apresentar uma história forte ao público.
“É um filme bom, inédito, mas eu sofri muito assistindo. É um filme muito forte. Tem mais de 50 anos que eu leio e participo das organizações de familiares de vítimas e desaparecidos da ditadura. A gente sabia daquelas cenas, mas nunca tinha visto. Saí chorando”, contou Diva, que é irmã de Dinaelza Santana Coqueiro, militante contra a ditadura que desapareceu no Araguaia, na década de 70.
‘Marighella’ conta a história do ex-deputado federal e guerrilheiro baiano Carlos Marighella, que combateu a ditadura e foi considerado um dos principais inimigos dos militares. Após muito tempo de perseguição, ele foi assassinado pelos agentes após uma emboscada, em 1969, em São Paulo.
O filme retrata não só o que aconteceu com Marighella, mas também denuncia outros crimes cometidos pela ditadura, como a tortura, por exemplo. Diva Santana acredita que a produção será importante no esclarecimento à sociedade do que aconteceu naquele período, porque, segundo ela, essa página da nossa história foi ocultada durante muito tempo.
“A maioria da população não sabe o que aconteceu nos porões da ditadura. O filme mostra. Mostra na cara dos militares, agora, o que eles fizeram com o povo que lutava pelo Brasil”, concluiu a militante de direitos humanos.