O professor e escritor Elias Jabbour lançou em Salvador, nesta terça-feira (14/12), o seu novo livro, ‘China – o socialismo do século XXI’ (Boitempo, 314 páginas), escrito em parceria com o economista italiano Alberto Gabriele. O evento de lançamento ocorreu no Cinema Glauber Rocha, na praça Castro Alves, e contou a presença de estudantes, docentes, lideranças da esquerda, principalmente do PCdoB, entre outros interessados no tema.
Além da apresentação da obra, a atividade ainda promoveu um debate sobre o modelo socialista chinês, que teve a participação do professor Sérgio Gabrielli (UFBA), ex-presidente da Petrobras. Na mesa, também estiveram o presidente estadual do PCdoB, Davidson Magalhães, e a representante da seção baiana da Fundação Maurício Grabois (FMG-BA), Ilka Bichara.
Durante a discussão, Elias explicou o processo de desenvolvimento do trabalho e defendeu que a potência que a China se transformou, nas últimas décadas, precisa ser compreendida a partir do modelo socialista construído pelo país e do papel do Partido Comunista Chinês. “A China só consegue fazer o que faz porque é socialista e tem à frente o Partido Comunista”, disse.
O autor ainda garantiu que o livro não abandona a análise das contradições da China, mas que reconhece que o socialismo chinês está em constante transformação, e, justamente por isso, caminha para um aprimoramento. “As experiências socialistas são condicionadas pelo capitalismo dominante. China é um sistema embrionário, que vai mudando de cara, ao longo do seu desenvolvimento, e que tem suas contradições”, acrescentou.
Na ocasião, Jabbour também destacou o imediato e eficiente enfrentamento que a China fez do novo coronavírus, ao contrário do que se observou no mundo, e apontou características importantes do modelo socialista chinês, que, segundo ele, devem servir de inspiração. “O país busca a transformação da razão e da ciência em governança”.
DNA baiano
O lançamento do livro em Salvador serviu para que Elias fizesse também uma homenagem à Bahia, pela importância que figuras do estado tiveram em sua formação intelectual e no desenvolvimento da obra sobre a China. Foram citados o ex-dirigente comunista Haroldo Lima, o geógrafo Milton Santos, de quem foi aluno, e diversas outras pessoas – boa parte delas presente no evento.
“Foi por conta de Haroldo Lima que comecei a estudar a China. Quem me ajudou materialmente foi Haroldo, por dois anos, para que eu pudesse estudar a China. Estudava China desde que não era moda estudar a China. Haroldo foi uma das pessoas que apostaram em mim”, contou.
Coragem e competência
Durante a sua intervenção, o ex-presidente da Petrobras exaltou o trabalho de Elias Jabbour e Alberto Gabriele, destacando, especialmente, a coragem, a ousadia e a competência intelectual da dupla. Ele também fez uma análise sobre a experiência chinesa e garantiu que o livro é essencial para quem busca a compreensão das novas configurações do mundo de hoje, sobretudo pelas tensões entre os Estados Unidos e a China.
“Hoje, nós temos uma saída do [ex-presidente] Trump e a entrada do Biden. Aparentemente, uma vitória democrática, porém, uma radicalização contra a China. Há uma situação de guerra fria. Estados Unidos denunciam a democracia chinesa. As tensões tendem a aumentar, portanto, o livro é uma ferramenta importantíssima para a gente interpretar o que está acontecendo”, disse Gabrielli.
Após o debate de lançamento, Elias Jabbour promoveu no local uma sessão de autógrafo dos livros.