O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, fez o primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), durante encontro na última quarta-feira (26/09). Na ocasião, o líder cubano afirmou que dará continuidade às ideias políticas de Fidel Castro, defendeu o fim do embargo dos Estados Unidos, criticou a prisão do ex-presidente Lula e as tentativas de intervenção na Venezuela.
Sobre Lula, Díaz-Canel afirmou que a prisão do brasileiro tem motivação política. “Denunciamos o encarceramento com fins políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a decisão de impedir o povo de voltar a eleger para a presidência o líder mais popular do Brasil”, disse.
Em relação à tentativa de intervenção na Venezuela, o presidente declarou apoio a Maduro. “Neste contexto ameaçador, queremos reiterar nosso absoluto apoio à revolução bolivariana chavista, à união cívico-militar do povo venezuelano e ao seu governo legítimo e democrático, conduzido pelo presidente constitucional Nicolás Maduro. Rechaçamos as tentativas de intervenção contra a Venezuela, que buscam asfixiá-la economicamente e prejudicar as famílias venezuelanas”, afirmou.
Díaz-Canel ainda avaliou as relações entre os EUA e Cuba, que, segundo ele, retrocederam, depois da eleição de Donald Trump. “O governo dos EUA se dedicou a fabricar artificialmente, sob falsos pretextos, cenários de tensão e hostilidade que não beneficiam ninguém (...) Apesar do bloqueio, da hostilidade e das ações executadas pelos EUA para impor uma mudança de regime em Cuba, aqui está a Revolução Cuba, viva e pujante, fiel aos seus princípios”.
O líder cubano aproveitou a ocasião para rebater um comentário feito por Trump também na ONU, em que atribuiu a fome e a pobreza ao socialismo. “Elas são consequência do capitalismo. Que ninguém se engane que a humanidade não tem recursos para materiais, financeiros e tecnológicos para erradicar a pobreza, a fome, as doenças que podem ser prevenidas e outros flagelos”.
O presidente também destacou que a maioria da população cubana quer dar sequência à obra iniciada por Fidel Castro e disse estar convencido de que a reforma da Constituição, que será votada em referendo, ratificará o “caráter irrevogável” do socialismo na ilha. “Somos a continuidade, não a ruptura. Agradeço aos líderes mundiais pela rejeição quase unânime, todos os anos, ao bloqueio econômico, comercial e financeiro de nosso país”.