A edição desta quarta-feira (25/04), do jornal Valor Econômico traz uma reportagem reveladora da política econômica de “austeridade” do governo ilegítimo de Michel Temer. Um levantamento da LCA Consultores mostra que a extrema pobreza cresceu 35% em apenas um ano.
A LCA se baseia em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e no conceito do Banco Mundial pelo qual quem tem renda per capita de US$ 1,90 por dia, o que em média corresponde a R$ 136 mensais, encontra-se nessa situação.
“O Brasil vive um pesadelo. Desde que os golpistas tomaram o poder, a crise só avança e os projetos que eles apresentam só fazem a situação piorar, principalmente para os mais pobres”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB.
Os jornalistas do Valor visitaram a favela de Paraisópolis, uma das maiores da capital paulista e que se localiza no bairro Morumbi, ao lado de suntuosas residências e prédios. Ali averiguaram a calamidade. Conversaram com três mulheres totalmente dependentes do programa Bolsa Família - programa criado em 2004 no governo de Luiz Inácio Lula da Silva - para manterem a suas famílias, ainda que em situação precaríssima.
Com uma população de pouco mais de 21 milhões de habitantes, a Região Metropolitana de São Paulo, que representa 56% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado de São Paulo, o mais rico do país, e pouco mais de 17% do PIB nacional, conta, de acordo com a LCA, com mais de 700 mil pessoas vivendo na extrema pobreza.
Vânia menciona ainda as graves consequências da reforma trabalhista sobre o mundo do trabalho. “Essa reforma degrada a vida da classe trabalhadora e destrói os sonhos da juventude de ter um futuro melhor”.
Ela lembra do alto índice de desemprego, em torno de 12% da população economicamente ativa e do crescimento da informalidade. “A maioria das pessoas não consegue emprego com carteira assinada. As mulheres estão majoritariamente trabalhando como vendedoras ambulantes, se expondo a grandes riscos nas ruas, num país excessivamente machista como o nosso”.
A sindicalista baiana acentua a sua indignação. “Os golpistas estão arrasando o país em um tempo tão curto que assusta”. Além de precarizar as relações de trabalho e não investir no setor produtivo, “o governo detona os programas sociais dos governos anteriores, como o Bolsa Família, um grande programa de distribuição de renda, como jamais havíamos visto no Brasil”.
Fonte: CTB