Criado no início da pandemia da Covid-19 no Brasil, em março de 2020, o auxílio emergencial permitiu que a população mais vulnerável socioeconomicamente pudesse se manter, diante de um cenário de desemprego e de risco de contaminação do coronavírus. De abril a setembro do ano passado, foi destinado R$ 600 por beneficiário e R$ 1.200 para mães solo, já de outubro a dezembro, os valores caíram para R$ 300 e R$ 600, respectivamente.
Mas, agora, sem a ajuda do auxílio emergencial, a estimativa é que o país tenha milhões de pessoas cruzando a linha abaixo da pobreza extrema. Conforme pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia – FGV, a estimativa é que cerca de 63 milhões de pessoas comecem a viver abaixo da linha da pobreza, o que corresponderia a receber R$ 455 por mês, e outras pelo menos 20 milhões abaixo da pobreza extrema, o que representa em média R$ 157 por mês.
Conforme o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), “a volta do Brasil ao Mapa da Fome é mais um dos retrocessos do governo Bolsonaro. Em 2014, o país havia saído deste mapa, através de um trabalho forte iniciado em 2003 com o Programa Fome Zero. Agora, antes mesmo da pandemia se instaurar, mais de 5% da população já se encontrava em estado grave de insegurança alimentar”.
Outra parlamentar que se manifestou nas redes sociais foi a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), que defendeu a volta do auxílio emergencial e o impeachment de Bolsonaro, diante dos dados expostos. “Neste janeiro, 12,8% dos brasileiros passaram a viver com menos de R$ 246 ao mês (R$ 8,20 ao dia), linha de pobreza extrema calculada pela FGV Social, a partir de dados das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (Pnads) Contínua e Covid-19”.
Se de um lado, algumas pessoas não conseguem comprar o mínimo, uma cesta básica, para poder se alimentar, do outro, o Brasil tem um presidente que gasta 15 milhões só com leite condensado. Dois lados diferentes, mas um é responsável pelo outro. Porém, “enquanto isso, o desgoverno realiza gastos exorbitantes e não se posiciona sobre este grave cenário”, declarou Daniel Almeida.
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Foto: Fernando Udo[/caption]