Notícia

Governos do Nordeste vão denunciar fake news sobre Covid-19 à CPMI

11 maio, 2020

Por conta do grande número de conteúdos falsos que circulam nas redes sociais a respeito do coronavírus, os secretários de Comunicação dos nove estados do Nordeste iniciaram a produção de um dossiê que será entregue à Comissão Parlamentar Mista das Fake News (CPMI), responsável por investigar o assunto no Congresso Nacional. Em fase de finalização, o material levará a deputados e senadores uma série de exemplos desse tipo de publicação.
O secretário de Comunicação e Assuntos Políticos do Maranhão, Rodrigo Lago, destaca que a disseminação massiva de publicações falsas acompanha, usualmente, os temas do momento, motivo pelo qual a prática hoje estaria tão associada à pandemia. Ele conta que o problema se tornou um desafio para o estado, que, nas últimas semanas, virou palco de grande alvoroço da população diante de algumas fake news.
Em uma delas, foi divulgado, por exemplo, que a disponibilidade de caixões teria acabado. Outra, com um potencial ainda maior para mobilizar e assustar a população, dizia que o governo teria decretado a política do lockdown (bloqueio de atividades e circulação) inclusive para supermercados e outros estabelecimentos de venda de alimentos. O decreto em questão, na verdade, não afeta esse tipo de serviço, que é considerado essencial.
“Você imagina o desespero que isso gerou na cidade porque, pra agravar, todo mundo saiu correndo de casa e foi ao supermercado, gerando aglomeração e espalhando ainda mais o vírus e o contágio. Nós estamos enfrentando esse problema de uma forma muito intensa porque isso desinforma a população”, afirma Lago, acrescentando que a gestão tem pedido à população que dê mais crédito para as redes institucionais dos governos e para a imprensa do que para conteúdos de origem desconhecida.
O secretário ressalta que o maior desafio para o combate à prática é tentar barrar o compartilhamento dos conteúdos, que têm rápida disseminação e alcançam longo percurso, atingindo diferentes grupos.
Esse é o grande problema, porque você recebe num grupo de amigos uma informação, dali encaminha pra outro grupo de amigos, grupos de vizinhos, da rua, do prédio, da igreja, e aí essa informação se multiplica numa velocidade alta e a população não tem o cuidado de checar. Eu espero que o Congresso consiga, diante disso, apontar caminhos pra desestruturar as organizações de criação e divulgação de fake news.
No Legislativo, a CPMI atua no sentido de investigar uma série de aspectos relacionados a conteúdos enganosos. Entre eles, estão a utilização de perfis falsos durante as eleições de 2018; a prática de cyberbullying sobre agentes públicos e usuários de internet considerados mais vulneráveis; o aliciamento e a orientação de crianças para o cometimento de crimes de ódio e suicídio; e os ataques cibernéticos que afetam a democracia e o debate público.
 
Com Brasil de Fato 

PCdoB - Partido Comunista do Brasil - Todos os direitos reservados