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Haroldo Lima tinha razão: RLAM privatizada vende combustível mais caro  

11 fevereiro, 2022

Uma reportagem recente do jornal Folha de São Paulo revelou que a Refinaria Landulpho Alves Mataripe (RLAM) já promoveu, desde janeiro, três reajustes no preço dos combustíveis e vende gasolina e diesel por valores superiores aos praticados pelas refinarias da Petrobras. Os aumentos constantes têm impactado o bolso dos consumidores da Bahia, onde está localizada a RLAM, que estão pagando mais caro nos postos.

A gasolina, por exemplo, é vendida pela RLAM por R$ 3,32 por litro, R$ 0,14 a mais do que a média cobrada pela estatal, ainda segundo a reportagem da Folha. A RLAM fica no município de São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), e passou a ser operada pela Acelen, empresa criada pelo fundo árabe Mubadala, após o processo de privatização, no ano passado.

A decisão do governo Bolsonaro de vender a refinaria da Petrobras foi duramente criticada por especialistas e pelos movimentos social e sindical. Uma das principais vozes contrárias foi a do engenheiro Haroldo Lima, ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que chegou a publicar diversos artigos contra a privatização, antes de morrer, em março do ano passado.

Um dos artigos de Haroldo, batizado de ‘Privatização contra o país e seu povo’, foi publicado no site do PCdoB-BA no dia 11 de fevereiro do ano passado, e adiantava problemas que iam ser gerados com a venda. “A privatização da Refinaria Landulfo Alves-Mataripe suscita diversos problemas, subvalorização do ativo, desemprego, abandono da Petrobras, do estado que a viu nascer, problemas fiscais. Mas salienta, em primeiro lugar, que não basta uma empresa ser dirigida pelo Estado, é preciso saber quem dirige o Estado”, diz um trecho do texto.

No artigo, o engenheiro que também foi dirigente nacional do PCdoB também denunciou que a venda da RLAM fazia parte de uma política de entrega do patrimônio nacional, “sujeita às orientações antinacionais e antipopulares das forças políticas que comandam o Estado”. “Como estamos sob a presidência de um negacionista obtuso, miliciano, que nunca fez nada pela Petrobras, nunca foi a uma passeata em defesa da nossa soberania no petróleo, a liquidação do patrimônio nacional está em marcha batida, e a privatização de Mataripe é mais um capítulo que os entreguistas de plantão querem escrever”, argumentou Haroldo.

O ex-diretor-geral da ANP ainda explicou que a privatização da refinaria não tinha justificativa plausível, o que reforçava as suspeitas de que as operações não atendiam ao interesse público. “Um dos fatores que tornam o Brasil forte no mundo é o seu mercado, grande, pujante. No que diz respeito ao consumo de combustíveis, este é o oitavo maior mercado do planeta, que faturou cerca de R$ 500 bilhões de reais em 2019”.

A Refinaria Landulpho Alves Mataripe foi vendida para o fundo árabe Mubadala por US$ 1,65 bilhão (R$ 9,1 bilhões).

 

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