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IAMBA completa 25 anos e anuncia reformulação com foco em movimentos sociais e justiça ambiental

23 setembro, 2025

O Instituto Ambientalista da Bahia (IAMBA) está completando 25 anos e marcou a data com uma assembleia de reestruturação em Salvador. A entidade, que nasceu no fim dos anos 1990 como resposta às discussões sobre organismos geneticamente modificados e à defesa do Rio São Francisco, retoma suas atividades com uma nova configuração organizativa e uma agenda ampliada.

Segundo a ambientalista Kitty Tavares, uma das fundadoras e organizadoras do instituto, o momento é de renovação:

“Estamos reorganizando o IAMBA agora com pessoas tanto da velha guarda quanto novos, que atuam em movimentos sociais, em Salvador e em várias regiões da Bahia. A motivação dessa assembleia é justamente reformular o Estatuto e alinhar as diretorias ao perfil do instituto, que é de articulação, de educação ambiental crítica e de atuação política.”

Entre as novidades estão a criação de uma diretoria específica para movimentos comunitários e de comissões temáticas.

“Vamos ter uma diretoria de movimentos comunitários para aproximar a atuação ambiental da realidade dos bairros e municípios. Além disso, vamos criar comissões temáticas que vão trabalhar desde a pauta indígena, comunidades tradicionais, educação ambiental até mudanças climáticas”, destacou Tavares.

A trajetória do IAMBA inclui a coordenação da Assembleia Permanente das Entidades Ambientalistas, participação ativa na defesa do São Francisco e forte presença nas conferências de meio ambiente. Agora, a ideia é fortalecer o papel político da entidade em toda a Bahia e também em nível nacional.

Para a arquiteta e urbanista Gabriela Caldas, também organizadora do IAMBA, a luta ambiental precisa estar conectada à luta social e de classes:

“Estamos em um período em que já atingimos a meta mínima de descarbonização, então não temos mais como retroceder nos impactos ambientais. O que precisamos é vincular nossa disputa da luta de classes com essa percepção de que os impactos ambientais estão diretamente relacionados às classes sociais. É impossível pensar em uma transformação da sociedade sem mudanças nos padrões de consumo e nos modos de produção.”

Ela ressalta que a pauta ambiental deve ir além da preservação da natureza isoladamente:

“Não é só abraçar a árvore ou proteger o bioma, mas também discutir modelos de ocupação urbana, formas de vida e territórios ameaçados pelo consumo predatório. Se queremos outro modelo de sociedade, precisamos garantir as condições biológicas para que ele seja possível. O IAMBA vem no sentido de construir a luta e conscientizar nessa direção.”

Com esse novo fôlego, o IAMBA pretende reafirmar seu papel histórico de articulação dos movimentos socioambientais, ampliando a incidência política e a formação crítica diante dos desafios climáticos e sociais do presente.

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