O Instituto de Estudos e Ação pela Paz com Justiça Social (IAPAZ) emitiu uma nota, na última terça-feira (24/11), para repudiar o assassinato de João Alberto, um homem negro, por seguranças brancos do Carrefour de Porto Alegre (RS), na semana passada. Na avaliação do instituto, o caso deixa evidente a gravidade do problema do racismo estrutural no Brasil, que precisa ser atacado em suas raízes.
“O racismo estrutural no Brasil aflige a população há séculos e está presente no país inteiro, inclusive no comando central do Palácio do Planalto, o que exige medidas radicais para erradicar essa mazela social. Não basta combater apenas os efeitos, é fundamentar atacar suas raízes. Não basta somente manifestações pontuais e declarações antirracistas, é preciso mudar a estrutura social”, diz o texto.
O IAPAZ ainda defendeu a união de todos os segmentos com objetivo de lutar por uma nova estrutura social antirracista, “uma sociedade marcada pela igualdade, paz e justiça social”.
Leia a íntegra da nota do IAPAZ:
O IAPAZ -Instituto de Estudos e Ação Pela Paz Com Justiça Social vem, por meio da presente nota, MANIFESTAR SEU REPÚDIO PELO ASSASSINATO DO SR. JOÃO ALBERTO, cidadão negro, agredido até a morte e sem chance de defesa por seguranças da rede de Supermercado Carrefour, nas dependências de uma de suas lojas em Porto Alegre.
A morte de João Alberto associa-se a milhares de outros casos de racismo. São cerca de 50 mil assassinatos ao ano, 800 mil presos em situação degradante e as profundas desigualdades sociais que atingem principalmente negros, pobres e jovens.
Os altos números revelam que a violência contra a população negra no Brasil está tão naturalizada no país que a morte de João Alberto não chegou nem perto de causar o mesmo impacto que a morte de George Floyd causou nos Estados Unidos, apesar de as circunstâncias serem assemelhadas.
O racismo estrutural no Brasil aflige a população há séculos e está presente no país inteiro, inclusive no comando central do Palácio do Planalto, o que exige medidas radicais para erradicar essa mazela social. Não basta combater apenas os efeitos, é fundamentar atacar suas raízes. Não basta somente manifestações pontuais e declarações antirracistas, é preciso mudar a estrutura social.
O presidente da República Jair Bolsonaro declarou que não há racismo no Brasil, o vice-presidente, Hamilton Mourão também afirmou o mesmo e o ex-Ministro da Justiça Sergio Moro fez declaração aparentemente antirracista, mas a sua atuação cotidiana contribui para o enraizamento do racismo estrutural, é um defensor enfático da ampliação do excludente de ilicitude que na prática significa licença para matar, principalmente negros, pobres e jovens. Defende também uma política de encarceramento.
O IAPAZ -Instituto de Estudos e Ação Pela Paz Com Justiça Social solidariza-se com os familiares de João Alberto e com todas as vítimas de racismo, bem como defende a união de todos os segmentos com objetivo de lutar por uma nova estrutura social antirracista. Uma sociedade marcada pela igualdade, paz e justiça social
Álvaro Gomes
Presidente
Salvador , 24/11/20