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IAPAZ: É preciso atacar as raízes do racismo estrutural no Brasil

25 novembro, 2020

O Instituto de Estudos e Ação pela Paz com Justiça Social (IAPAZ) emitiu uma nota, na última terça-feira (24/11), para repudiar o assassinato de João Alberto, um homem negro, por seguranças brancos do Carrefour de Porto Alegre (RS), na semana passada. Na avaliação do instituto, o caso deixa evidente a gravidade do problema do racismo estrutural no Brasil, que precisa ser atacado em suas raízes.

“O racismo estrutural no Brasil aflige a população há séculos e está presente no país inteiro, inclusive no comando central do Palácio do Planalto, o que exige medidas radicais para erradicar essa mazela social. Não basta combater apenas os efeitos, é fundamentar atacar suas raízes. Não basta somente manifestações pontuais e declarações antirracistas, é preciso mudar a estrutura social”, diz o texto.

O IAPAZ ainda defendeu a união de todos os segmentos com objetivo de lutar por uma nova estrutura social antirracista, “uma sociedade marcada pela igualdade, paz e justiça social”.

Leia a íntegra da nota do IAPAZ:

 

O IAPAZ -Instituto de Estudos e Ação Pela Paz Com Justiça Social vem, por meio da presente nota, MANIFESTAR SEU REPÚDIO PELO ASSASSINATO DO SR. JOÃO ALBERTO, cidadão negro, agredido até a morte e sem chance de defesa por seguranças da rede de Supermercado Carrefour, nas dependências de uma de suas lojas em Porto Alegre.

A morte de João Alberto associa-se a milhares de outros casos de racismo. São cerca de 50 mil assassinatos ao ano, 800 mil presos em situação degradante e as profundas desigualdades sociais que atingem principalmente negros, pobres e jovens.

Os altos números revelam que a violência contra a população negra no Brasil está tão naturalizada no país que a morte de João Alberto não chegou nem perto de causar o mesmo impacto que a morte de George Floyd causou nos Estados Unidos, apesar de as circunstâncias serem assemelhadas.

O racismo estrutural no Brasil aflige a população há séculos e está presente no país inteiro, inclusive no comando central do Palácio do Planalto, o que exige medidas radicais para erradicar essa mazela social. Não basta combater apenas os efeitos, é fundamentar atacar suas raízes. Não basta somente manifestações pontuais e declarações antirracistas, é preciso mudar a estrutura social.

O presidente da República Jair Bolsonaro declarou que não há racismo no Brasil, o vice-presidente, Hamilton Mourão também afirmou o mesmo e o ex-Ministro da Justiça Sergio Moro fez declaração aparentemente antirracista, mas a sua atuação cotidiana contribui para o enraizamento do racismo estrutural, é um defensor enfático da ampliação do excludente de ilicitude que na prática significa licença para matar, principalmente negros, pobres e jovens. Defende também uma política de encarceramento.

O IAPAZ -Instituto de Estudos e Ação Pela Paz Com Justiça Social solidariza-se com os familiares de João Alberto e com todas as vítimas de racismo, bem como defende a união de todos os segmentos com objetivo de lutar por uma nova estrutura social antirracista. Uma sociedade marcada pela igualdade, paz e justiça social

Álvaro Gomes

Presidente

Salvador , 24/11/20

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