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Instrutor de garçons, Geovan ensinou sobre servir com dedicação à luta

24 maio, 2021

 

Morreu no último domingo (23/05), na capital baiana, o militante comunista Geovan Gonzaga Salvador, aos 58 anos, vítima da Covid-19. A notícia da perda rendeu muitas homenagens a ele, que, como um destacado e digno instrutor de garçons que foi, ensinou a toda uma geração sobre servir com dedicação e coragem à luta por justiça social, democracia e emancipação dos trabalhadores e trabalhadoras.

Entre as muitas histórias lembradas sobre Geovan, uma quem conta é Fernando Udo, da equipe de Comunicação do PCdoB-BA. Ele foi cobrir um protesto que acontecia em frente ao hotel Sol Barra, em Salvador, onde Geovan já estava, com microfone na mão e falando à sua categoria de garçons e trabalhadores da hotelaria sobre os direitos que estavam sendo violados pela empresa.

O discurso enérgico em defesa da classe incomodou a administração do hotel e ovos começaram a ser lançados do edifício, como forma de intimidar o manifestante. Mas Geovan resistiu e garantiu que não sairia dali. “Querem jogar ovos? Podem jogar, mas não vão me calar”, disse ele, segundo o relato de Fernando, em uma clara demonstração do seu compromisso com a luta.

Apesar do forte vínculo que possuía com a sua categoria, Geovan não se restringia à defesa apenas dela, como conta Uilson de Souza, do PCdoB de Lauro de Freitas. Ele explica que Geovan passou por diversos outros movimentos, a exemplo do Sindicato dos Aeroviários do estado, e deu grandes contribuições à entidade e à eleição de Luciana Tavares, vereadora do PCdoB local que é ligada ao sindicato.

Adilson Araújo, presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), era amigo de Geovan e acrescentou que ele também foi uma grande liderança comunitária no seu bairro de São Cristóvão, para quem coordenou e articulou diversas ações. “Uma figura maravilhosa, gente boa, sempre disposto à luta. Salvador dedicou sua vida à luta contra as injustiças e por uma Bahia livre”, disse.

Pela luta no bairro, Geovan também foi ligado à FABS (Federação das Associações de Bairros de Salvador), na luta por moradia digna. Ele também passou pelo mandato do ex-vereador Javier Alfaya, do PCdoB da capital, onde atuou como assessor.

Na homenagem a Geovan, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA) lembrou que a morte poderia ser evitada, se o Brasil tivesse uma política séria de enfrentamento ao coronavírus, porque ele já deveria estar vacinado. “É mais uma vítima da Covid-19, e parte precocemente pela falta de vacina”, afirmou a parlamentar.

Olívia Santana, deputada estadual do PCdoB, disse que a trajetória incansável e abnegada trajetória de Geovan deve ser motivo de aplausos e é digna de uma gratidão eterna por parte dos que integram nos movimentos populares e de luta democrática.

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