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Júlio Bonfim: Ford quer deixar as contas nas costas dos trabalhadores

3 fevereiro, 2021

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, tem denunciado as dificuldades de negociação com a Ford, desde que a empresa anunciou o encerramento das atividades no Brasil, no mês passado. A categoria realizou, na última terça-feira (02/02), mais uma assembleia para debater os impactos do anúncio, e Bonfim informou que a multinacional permanece com uma postura de ‘descaso e desrespeito’ para com a classe trabalhadora.

“Nós temos um impasse muito grande sobre o que será a vida desses trabalhadores. São 8 mil, e não a mentira da Ford de que são 5 mil. São empresas diretamente ligadas ao processo produtivo, com os mesmos benefícios. [...] A Ford não pode deixar a conta nas costas dos trabalhadores, pais e mães de família”, afirmou o presidente dos Metalúrgicos, em uma entrevista para a TV Bahia.

Segundo Bonfim, a luta principal da categoria é a retomada das atividades, mas, paralelamente, tem se discutido as indenizações, para caso a demissão em massa seja concretizada. “Estamos buscando uma indenização que repare esse descaso e esse desrespeito de encerrar o processo produtivo e jogar [na rua] esses milhares de trabalhadores”, completou.

Um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) apontou que a saída da empresa do Brasil pode representar a perda de cerca de 119 mil postos de trabalho, diretos e indiretos, resultando em uma perda salarial de R$ 2,5 bilhões. A queda na arrecadação de tributos deve ficar em torno de R$ 3 bilhões ao ano.

O Sindicato dos Metalúrgicos ainda pleiteia outras questões, como a garantia do direito à estabilidade aos trabalhadores que adquiriram lesões graves relacionadas ao trabalho.

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